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Sábado, 30 Novembro 2019 08:40

'Meu desejo é ser candidato a prefeito da capital', diz Mamãe Falei

Em 11 meses como deputado, Arthur do Val manteve a promessa de ser um dos mais econômicos da Alesp. Agora, quer ser o próximo prefeito de São Paulo
O deputado estadual é uma das lideranças do MBL que agora busca um discurso menos virulento O deputado estadual é uma das lideranças do MBL que agora busca um discurso menos virulento Flávio Corvello/Futura Press
Por Bruno Hoffmann
De São Paulo

O MBL (Movimento Brasil Livre) nasceu em 2014 para atrair apoio popular ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e para difundir ideias liberais na política nacional. As duas pretensões foram alcançadas, com direito a um efeito colateral: ter sido figura decisiva para criar um cenário político extremamente polarizado no País. Seus próprios integrantes reconhecem isso.

O deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei (sem partido), é uma das lideranças do MBL que agora busca um discurso menos virulento. Diz que o movimento vai continuar a ter embates fortes com a esquerda, mas sem os mesmos métodos de tempos atrás.

Em 11 meses como deputado (o segundo mais votado do Estado), Arthur do Val manteve a promessa de ser um dos mais econômicos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), se envolveu em polêmica ao chamar colegas de “vagabundos”, votou sem seguir determinações de partido e foi expulso do DEM. Agora, quer ser o próximo prefeito de São Paulo.

Gazeta de S. Paulo - O sr. diz que não queria ser expulso do DEM, mas tinha pouco a ver com o partido. Com qual legenda mais se identifica?

Arthur do Val - Não tem nenhum partido quase que tem ideais hoje no Brasil. O Psol tem ideais – que são contrários aos meus –, o PCdoB e o PCO; já no que se chama de direita, acho que só o Novo. Eu gosto muito das pessoas do Novo, sou amigo dos caras, mas o problema do Novo é que temos uma diferença estratégica eleitoral muito grande. O Novo tem algumas travas que eu não concordo, e acho que elas prejudicam demais inclusive a própria democracia. Nesse aspecto, acho muito difícil dar certo um casamento. Mas o partido Novo é o que se aproxima mais daquilo que eu acredito ser o melhor para o Brasil.


GSP - Foi expulso porque o MBL te indicou como candidato a prefeito?

AV - Na verdade eu acho que a expulsão não tem a ver com isso. O partido não é tão rápido assim. Você não fala uma coisa no fim de semana e na semana acontece. A morosidade de partido é muito grande. Eu acredito que tenha sido muito mais pela minha conduta do que por causa disso.


GSP - Quer ser candidato a prefeito no ano que vem?

AV - É o meu desejo. Infelizmente não depende de mim hoje. Isso depende muito mais de terceiros, o que me deixa muito irritado. Porque se dependesse de mim eu já seria candidato a prefeito.


GSP - O MBL ajudou a criar uma direita politizada no País?

AV - Com certeza. Não só politizada como, infelizmente também, polarizada. Por isso que fazemos uma mea culpa e [estamos] até espetacularizando o bom debate agora.


GSP - Tem alguma mea culpa com sua atuação como youtuber também?

AV - Acho que não. Tudo o que fiz foi extremamente necessário para me tornar um cara relevante no debate público. Eu não seria hoje o segundo deputado mais votado e nem o maior youtuber de política do Brasil se não tivesse de ter passado por algumas coisas até ridículas. Eu acho que essa espetacularização faz parte. Ela cria, sim, um efeito colateral, que é negativo, mas com o amadurecimento e o ajuste da ferramenta você consegue mostrar que não é só um saco vazio que tem forma, mas que tem conteúdo também.


GSP - Já como deputado o sr. chamou seus colegas de vagabundo há poucos meses. Não agiu como antes de ser deputado?

AV - Na verdade ali tive um momento de exaltação, errei com as palavras, não deveria ter falado aquilo. Mas pedi desculpas. Não me arrependo porque foi uma coisa completamente espontânea. Não foi um erro de caráter, um erro de princípios: foi um erro de forma em um momento em que eu estava exaltado. Eu deveria ter tido um pouco mais de controle.


GSP - Os deputados e vereadores do MBL estão entre os mais econômicos de suas Casas legislativas. O movimento considera essas verbas supérfluas?

AV - Mais do que supérfluos, esses gastos são imorais. Se existe uma casta de representantes que se acha acima dos outros, que fica usufruindo e votando a favor de aumento de privilégios, você está dando recado que o Brasil ainda é patrimonialista, dando o recado que o Brasil ainda é corporativista, dando o recado que o Brasil é o país dos privilégios, e não o país da moralidade. Se não der exemplo de cima para baixo como vai cobrar dos outros? Se eu chegar aqui e ficar usando carro, motorista, auxílio isso, auxílio aquilo, como é que eu vou cobrar um outro cara que não faça o mesmo? Então, para cobrar, faço isso. Esta é uma bandeira liberal. O próprio liberal tem por definição a equidade das pessoas perante o Estado. Se um liberal entra e usufrui tudo o que tem o direito aqui, não está sendo um liberal na prática. Está sendo um liberal no discurso.


GSP - Como vê o papel do Lula, agora solto, nas eleições do próximo ano? O MBL vai continuar com a postura de enfrentamento à esquerda?

AV - Sim, o enfrentamento à esquerda faz parte dos nossos princípios e da coerência que temos com nossos valores. O Lula solto tem dois efeitos: o primeiro é um fortalecimento da esquerda lulista. Só que ocorre um racha entre a esquerda não lulista. Se cria até uma animosidade com aqueles que acreditam, como disse o Ciro, que “o Lula tá preso, babaca”, e os caras que acreditam no Lula livre. Cria um racha mais acirrado na esquerda que dificulta o aglutinamento de forças de esquerda.


GSP - Qual seria o presidente ideal para o Brasil?

AV - Muito difícil essa pergunta, muito difícil. Eu diria alguns nomes para não ser injusto: Álvaro Dias, João Amoêdo, Paulo Guedes e talvez algum outsider. Talvez o Roberto Justus, mas não sei, não o conheço a fundo. Seriam muito melhores esses nomes do que os nomes tradicionais.


GSP - Por falar em Justus, e o Luciano Huck?

AV - Luciano Huck, não. O Roberto Justus não conheço a fundo a história dele, mas parece ser alguém que defende mais o empreendedorismo do que o Huck, que defende mais corporativismo. Acredito, inclusive, que o Huck é um nome forte para 2022. Isso é uma análise, não um desejo. Eu acho que o Huck é um perigo.


GSP - Ele não é um liberal?

AV - Nem a pau. Imagina. O Huck diz que dialoga com os mais pobres, mas na verdade é o cara que acredita no estado inchado realizando justiça social. E nós achamos isso extremamente perigoso.


GSP - Na economia, o governo Bolsonaro está indo no caminho desejado?

AV - Não. Os passos na economia estão sendo dados de maneira muito lenta. A reforma da Previdência foi aprovada, congratulo o governo por isso, mas acredito que está tendo morosidade nas pautas.


GSP - Agora, como deputado, consegue ter uma relação mais saudável com colegas de esquerda?

AV - O embate enérgico não significa necessariamente que você tem inimigo. Eu cruzo todos os dias aqui com parlamentares de esquerda, todos os dias, e a gente não sai no tapa, não sai se xingando. Inclusive tem parlamentares de esquerda que eu falo “esse cara é um baita cara”, e parlamentares de direita que eu falo “esse cara é um lixo”. A relação humana sempre tem que estar acima da relação política. Mas isso não anula os debates mais efusivos.

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