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Investigação

Fotos de cadáveres: auxiliar de necropsia é investigado em Guarulhos

Polícia quer identificar supostas alunas que aparecem fazendo pose nas fotos com mortos; auxiliar disse que as imagens era para fins de 'estudos'

Hebert Dabanovich

Publicado em 11/07/2024 às 11:00

Atualizado em 11/07/2024 às 14:38

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Supostos alunos fazem pose junto ao corpo de cadáveres / Reprodução

Um auxiliar de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) de Guarulhos, na Grande São Paulo, está sendo investigado por compartilhar fotos de cadáveres em grupos de mensagens. O caso é apurado como vilipêndio a cadáver, o crime contra o respeito aos mortos.

Investigações

A polícia vai ouvir as mulheres que apareceram fazendo poses em algumas fotos tiradas dentro do IML. Pelo menos uma delas foi reconhecida como aluna do curso preparatório de necropsia onde o auxiliar trabalhava. 

As investigações da Polícia Civil foram abertas em 7 de novembro de 2023. Eron Marcelo Reis acompanhava os estudantes da escola. Na época foi aberto uma denúncia ao Ministério Público Estadual no qual ele de recebia R$ 100 para deixar os alunos terem contato com os corpos.

Foram compartilhadas fotos, vídeos e prints nos grupos, que mostravam rostos e partes íntimas dos corpos. O funcionário foi identificado pelas tatuagens e áudio.

Eron informou em nota, que as imagens foram compartilhadas em 2021 dentro de um grupo fechado e privado “composto por alunos formados no curso de Necropsia, no qual eu atuei como professor”

Imagens divulgadas em grupos do Whatsapp - Reprodução

Nota da SSP

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Corregedoria da Polícia Civil está apurando o caso por meio de uma sindicância administrativa.

O 2° DP de Guarulhos encaminhou em abril deste ano, um relatório de investigação ao Poder Judiciário, mas o Ministério Público e a Justiça entenderam que as pessoas presentes nas imagens devem ser ouvidas. “A conduta do policial (auxiliar de necropsia) em questão não condiz com as práticas da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), a qual instrui todos os seus agentes a atuarem em conformidade com a lei e em respeito às vítimas”, disse a SSP.

Depoimento do agente

O agente contou à polícia que, desde 2021, ele era responsável técnico pelo estágio da escola preparatória para concursos públicos do ramo da necropsia Impera Cursos e Concursos.

De acordo com o relato, “variavelmente recepcionava alunos para realizarem estágios no Serviço de Verificação de Óbito (SVO)”, onde alunos acompanhavam o serviço.

O Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) fica na mesma avenida, em um complexo com o cemitério da cidade e o Instituto Médico Legal (IML).

Ele também informou que recebia valores em dinheiro da escola para acompanhar os alunos: a quantia de R$ 100 por estágio realizado.

Sobre as postagens feitas nos grupos do WhatsApp, Eron disse que realmente postava fotos e vídeos de cadáveres do SVO, mas “tinha cuidado para que não apresentasse nestas postagens o rosto”, mas que seriam para fins de “estudos” em grupo apenas com estudantes.

A diretoria do IML não tinha conhecimento do caso, ainda segundo ele, ou a chefia da unidade.

Perguntada sobre os supostos estágios no SVO, a prefeitura de Guarulhos informou que "a Secretaria da Saúde de Guarulhos informa que o funcionário citado não pertence aos quadros do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), mas sim do Instituto Médico Legal (IML), do governo estadual".

Depoimento da defesa

"O propósito primordial deste grupo era estritamente educacional, destinado ao aprendizado sobre anatomia e medicina legal, temas essenciais para a preparação de concursos públicos.

Esse grupo existiu por um breve período de tempo com o objetivo de auxiliar os alunos em seus estudos, em conformidade com as diretrizes da parceria estabelecida legalmente com a escola SUS/SVO.

Em nenhum momento foram solicitados ou cobrados valores dos alunos. O valor mencionado de R$ 100,00 refere-se ao pagamento efetuado pela escola ao professor para que este atuasse como responsável técnico, conforme exigido pela referida parceria.

Fui surpreendido com as alegações de investigação, uma vez que minha intenção sempre foi proporcionar um ambiente de aprendizado seguro e ético, sem qualquer intenção de prejudicar qualquer pessoa.

Desde o início, houve preocupação em proteger a identidade dos envolvidos, garantindo que nenhum rosto fosse identificado nas fotografias compartilhadas.

Estou colaborando integralmente com as autoridades competentes para esclarecer qualquer mal-entendido e estou à disposição para fornecer todos os demais esclarecimentos necessários."

*Texto sob supervisão de Diogo Mesquita 

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