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'NA RUA'

Após decisão judicial, 400 famílias são desalojadas em Carapicuíba; veja fotos e vídeos

A reportagem da Gazeta acompanhou a desocupação que teve início na noite desta terça

Joe Silva

Publicado em 25/05/2022 às 12:30

Atualizado em 25/05/2022 às 14:21

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Vila Municipal, em Carapicuíba / Joe Silva/Gazeta de S.Paulo

Mais de 400 famílias estão sendo retiradas de uma área na Vila Municipal, em Carapicuíba, Região Metropolitana de São Paulo. Nesta semana, prefeitura da cidade informou que a reintegração de posse ocorre porque há risco de deslizamento no local, mas, conforme apurado pela Gazeta, a área está sendo desocupada para a construção de um viaduto.

O processo de desocupação iniciado na noite desta terça (24) ocorreu de forma pacífica. Apesar de alguns moradores terem bloqueado a avenida que dá acesso à comunidade ateando fogo em alguns objetos, não houve registro de feridos ou de confronto violento. 

A Reportagem esteve no local no momento em que os moradores começaram a deixar suas casas. Muitos ainda eram encontrados em pé, na calçada, assistindo seus móveis serem colocados em caminhões de mudança disponibilizados pela Prefeitura. 

 

Moradores atearam fogo em objetos, bloqueando a avenida que dá acesso à comunidade desocupada. Vídeo: Reprodução/Redes sociais

 

Já na manhã desta quarta teve início a demolição das casas e comércios que ficam na comunidade da Vila Municipal. Equipes da Enel desligaram a energia elétrica de todo o bairro, acelerando ainda mais a saída dos moradores de suas casas. Agentes da Polícia Militar de SP acompanharam a destruição dos imóveis. O trânsito na região central de Carapicuíba foi totalmente interrompido, gerando engarrafamento.

 

Casas e outros imóveis começam a ser demolidos na Vila Municipal, em Carapicuíba. - Vídeo: Gazeta de S. Paulo

 

Este já é o segundo desalojamento de famílias realizado pela Prefeitura na cidade em pouco mais de três meses. No dia 21 de fevereiro, a gestão Marcos Neves (PSDB) obrigou mais de 180 famílias a deixarem seus lares e procurarem um novo local para viver. À época, a administração do município informou à Gazeta que ofereceu aos moradores um auxílio aluguel de R$ 420 reais por mês, mas, segundo um dos ex-ocupantes do local, o valor é insuficiente para locar uma nova moradia.

"Quem aluga uma casa com 400 reais? Tem pai mãe de família que trabalha dia e noite pra dar o básico para os filhos e agora vai ter que se preocupar em pagar um aluguel pra não ficar na rua com seus filhos, em nenhum lugar [se] acha uma casa nesse valor. Eu nasci na vila municipal não acho justo o que eles estão fazendo. Claro né? Isso não vai mexer com a família deles né? Então pouco importa se tem condições ou não de ter uma moradia digna.", diz Ana Carvalho de 29 anos que morava na área que foi desocupada.

 

 

O que diz a Prefeitura de Carapicuíba

 

Procurada, a administração da cidade informou que as 400 famílias desalojadas nesta quarta-feira receberão, além do auxílio aluguel, novas moradias a serem construídas em um terreno próximo, mas não informou quando estes novos imóveis estarão prontos. Leia a nota na íntegra abaixo:

 

"A Prefeitura de Carapicuíba esclarece que há uma decisão judicial de reintegração de posse de área (23.238,20 m²) na Vila Municipal para construção do viaduto (Av. Desembargador Doutor Eduardo Cunha de Abreu, s/nº).

No local vivem 1.294 famílias, mas a reintegração de posse refere-se a 400, que receberão ajuda de custo de R$ 400 do Governo do Estado e terão direito à destinação habitacional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), conforme consta no processo (Nº 10011033-45.2021.8.26.0127). De acordo com a determinação judicial, as famílias têm até o dia 31/03/2022 para saírem voluntariamente e aderirem aos atendimentos habitacionais.

É importante ressaltar que essas unidades habitacionais da CDHU serão construídas próximas ao Fórum, em área doada pela Prefeitura de Carapicuíba, e o processo de licitação já está em andamento. Portanto, as famílias serão atendidas da melhor forma possível.

Desde janeiro, a Prefeitura está orientando as famílias e atendendo as demandas, por meio de plantões de assistentes sociais. Além de estar atuando em parceria com o serviço social da CDHU, formalizando a adesão dos beneficiários aos programas oferecidos.

Após o cumprimento da decisão judicial, o Governo do Estado e a Prefeitura de Carapicuíba darão início a todo processo burocrático e legal das obras do viaduto. Antiga reivindicação da população da cidade, que vai proporcionar mais desenvolvimento, geração de emprego e agilidade de locomoção dos munícipes."

 

Viaduto a ser construído no local

 

Após apurar que a reintegração de posse na Vila Municipal visa viabilizar a construção de um viaduto, a Reportagem procurou também o Governo de São Paulo para comentar o caso. Segundo a EMTU - Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos - o viaduto é parte das obras do Corredor Metropolitano Itapevi-São Paulo, uma obra atrasada desde 2014 que já consumiu R$ 152,5 milhões dos cofres públicos. Com a desocupação ocorrida nesta quarta, a empresa informou que pretende retomar as obras a partir de junho.

No total, já são 580 famílias as que perderam suas casas nos últimos três meses em processos de reintegração de posse em Carapicuíba. Mais desapropriações estão previstas uma vez que a Vila Municipal abrigava, ao todo, 1.294 lares em uma área de 23.238,20 m² entre a linha de trens metropolitanos da Linha 8 Diamante e a avenida Deputado Eduardo Cunha de Abreu.

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