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'NÃO IRÁ ACABAR'

Secretário da Segurança de SP recua sobre retirar câmeras corporais de policiais

Guilherme Derrite, que se manifestava contrário ao programa 'Olho Vivo' e defendia sua revisão, mudou discurso

Joe Silva

Publicado em 10/01/2023 às 13:16

Atualizado em 10/01/2023 às 14:07

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O líder da pasta afirmou: 'Não iremos acabar com o programa' / Reprodução/Instagram

O novo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, escolhido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mudou seu discurso em relação ao fim de câmeras corporais de uso da PM.

"Não iremos acabar com o programa Olho Vivo das câmeras. Não iremos, é o meu compromisso e do governador", afirmou em entrevista ao Bom Dia SP

Na semana passada, Derrite afirmou poderia rever o programa e que uma das suas primeiras medidas foi solicitar o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que a iniciativa evitou 104 mortes, uma redução de 57%, em relação ao período anterior em que a medida entrou em vigor.

Devido à declaração, procuradores chegaram a divulgar uma manifestação contrária à revisão, dizendo que a suspensão ou a retirada das câmeras poderia ser entendida como "licença para matar". 

Na nova fala, porém, o secretário afirmou que a gestão estadual pretende ampliar as funcionalidades da câmera, como georreferenciamento e leitura de placa de veículos. 

"Ela foi instalada com uma intenção de fiscalização e controle que é aceitável, tem sua funcionalidade. Nós queremos, além da fiscalização e controle, acoplar a câmera do policial ferramentas que vão combater o crime. Como por exemplo, leitura de placa de veículos roubados. Isso pode ser instalado na câmera."

Mudança no discurso 

Ao longo da campanha eleitoral, tanto Derrite quanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) questionaram a necessidade do uso do equipamento. 

Derrite chegou a dizer, na época da implementação, que o Governo paulista era inimigo da polícia ao compartilhar na internet a manchete de um jornal sobre o uso de câmeras nas fardas. 

Índices de letalidade policial em SP

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz, divulgada em outubro de 2022, revelou que houve uma queda de 49,8% no número de homicídios pelos agentes de segurança pública: 420 pessoas foram mortas pelas polícias paulistas no primeiro semestre de 2018, contra 221 óbitos decorrentes de intervenção policial no mesmo período de 2022. 

A análise considerou todo o Estado, com os dados segmentados pela Capital, Grande SP e o Interior. Em todos os casos, apesar das reduções, o Interior foi onde mais ocorrências foram registradas.

Além deste primeiro levantamento, dados divulgados pela própria Secretaria de Segurança Pública (SSP), apontam que a letalidade policial teve queda de quase 40% em cinco anos no Estado. 

Em 2017, 941 pessoas perderam a vida em ações envolvendo policiais civis e militares em serviço e de folga. No ano passado, foram 570.

Mudanças 'drásticas' na Cracolândia 

Ainda na entrevista, Derrite afirmou que o Governo de SP tem como pauta prioritária a questão da Cracolândia e disse que a polícia já faz um trabalho de inteligência para identificar e prender traficantes. 

"Boa parte da droga chega por pequenos traficantes que levam sacolas dentro das estações de trem, de Metrô, da CPTM." 

Segundo ele, a população deverá sentir os resultados da nova gestão no local no final do semestre. 

"Creio que em seis meses já vão ver uma mudança drástica para melhor na Cracolândia" 

Crise de efetivo e tecnologia 

Continuando sua análise sobre os desafios na nova gestão, Derrite afirmou que o Estado vive a maior crise de efetivo da história das forças de segurança, e que começou a implementar um plano emergencial. 

"A Polícia Militar tem a defasagem de efetivo em mais de 14%, a polícia técnico-cientifica, mais de 25%, a Polícia Civil, mais de 32%. Apresentamos um plano emergencial. Tem concursos em andamento. O próximo serão de 200 delegados, mais de mil investigadores. Na PM serão três concursos concomitante. O plano emergencial é de recomposição de efetivo. E nos delegados, para que tenha na delegacia especializada, mais delegados participando das investigações que vão combater crimes das quadrilhas de Pix".

Além da ampliação do efetivo, o Estado precisa investir em tecnologia, avaliou o secretário. Ele disse ser inaceitável que boletins de ocorrência ainda sejam feitos em papel e não digitalmente. 

O novo líder da pasta afirmou também que o crescimento de sequestros e assaltos se dá "por conta da Impunidade e porque não há, por parte do estado, a evolução tecnológica que o crime acabou adquirindo.".

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