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O Butantã é um dos bairros mais arborizados da cidade | Marcos Santos
Morar no Butantã atrai quem gosta de natureza, boa oferta de serviços e quem precisa ter a USP pertinho de casa. Ao mesmo tempo, trânsito pesado, imóveis caros e alguns problemas de segurança fazem muita gente pensar duas vezes antes de fechar contrato.
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O bairro se comporta quase como uma cidade, com empresas, escolas, comércio forte e áreas verdes, mas também com reclamações sobre policiamento e barulho de festas. Entender as vantagens e desvantagens ajuda a decidir se o Butantã combina com o seu momento de vida.
Com base na experiência de moradores, dá para organizar os principais pontos em dois blocos: o que pesa a favor de quem quer ficar e o que empurra para quem prefere procurar outro bairro.
As vantagens do Butantã aparecem na mobilidade, na educação, nas oportunidades de trabalho e na qualidade de vida. Quem mora ali costuma valorizar a mistura de área verde, serviços variados e acesso relativamente fácil a outras regiões da cidade.
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O Butantã tem muitas linhas de ônibus que levam para praticamente todas as áreas da cidade. Moradores alcançam com facilidade pontos importantes como avenida Paulista, centro, zona sul, região da Faria Lima, Berrini e também bairros da zona norte.
O bairro é servido por diversas linhas de ônibus, que levam a várias reviões da Capital. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPA marginal Pinheiros e as linhas de trem ajudam bastante no deslocamento diário. Quem circula de carro encontra rotas diversas para cortar a cidade, o que reduz a sensação de isolamento e torna o bairro uma base estratégica para trabalhar em outros pontos.
Para viagens, a Raposo Tavares atende bem quem segue para o interior. A rodovia se conecta ao Rodoanel e, depois, à Castelo Branco, o que facilita escapadas de fim de semana. Para as praias, basta usar a Bandeirantes e seguir até a Imigrantes.
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O bairro reúne boas opções de ensino. Entre as escolas, a Etec Guaracy Silveira se destaca como uma das melhores do Brasil, oferecendo ensino técnico para quem quer começar a carreira mais cedo ou complementar a formação básica.
A Universidade de São Paulo é considerada a melhor do País. Foto: Cecília Bastos/USPNa educação superior, a estrela é a Universidade de São Paulo. A USP, vista como a melhor do País, oferece diversos cursos gratuitos de graduação e pós-graduação e movimenta o bairro com estudantes de diferentes regiões.
A universidade também abre serviços para quem não é aluno. Isso aproxima o campus do dia a dia dos moradores e reforça a imagem do Butantã como um polo de conhecimento e oportunidades ligadas à educação.
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O campus da USP funciona, na prática, como um grande parque dentro do bairro. Enquanto outros parques da cidade ficam lotados, a universidade ainda oferece espaço de sobra para quem gosta de caminhar, correr, pedalar ou apenas descansar no gramado.
Existem áreas abertas com gramado e outras com piso de concreto, adequadas para diferentes esportes. Ciclistas, inclusive mais experientes, costumam usar o campus para treinos, o que reforça o papel do local como área de lazer ao ar livre.
Para quem valoriza natureza e espaços livres, o Butantã oferece uma vantagem importante. O campus garante uma vasta área verde e ainda se mantém relativamente livre para uso cotidiano, mesmo em horários concorridos.
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Campus da USP é muito usado por praticantes de ciclismo. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPNa empregabilidade, o Butantã reúne muitas empresas próximas, que migraram para a região para fugir da inflação de áreas mais caras da zona sul. Entre elas estão o grupo Raia Drogasil, a JBS, a Editora Abril e outras grandes companhias de serviços.
Essa concentração aumenta as chances de morar perto do trabalho. Além disso, o bairro é muito bem servido de comércios. Há desde pequenos mercados para compras rápidas até grandes atacadistas voltados para famílias e comerciantes.
A região do Rio Pequeno concentra várias lojas de roupas, calçados e itens para casa. Quem precisa de pet shops, oficinas automotivas ou salões de beleza também encontra muitas opções, tanto em áreas comerciais quanto em ruas mais residenciais.
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O bairro é bem servido de comércio. Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilMesmo com tantas empresas, o Butantã mantém um ar de bairro residencial. Muitos moradores destacam a arborização, as ruas largas e bem cuidadas e a sensação de bem-estar em caminhadas, inclusive em dias mais quentes, quando as árvores oferecem boa sombra.
A vegetação natural e a boa altitude ajudam a deixar o clima mais agradável, com sombra e brisa em boa parte do ano. À noite, o bairro costuma ser silencioso - às vezes até demais -, considerando a proximidade com o centro e o número de atividades econômicas ao redor.
Durante o dia, o barulho também tende a ser moderado em grande parte do bairro. Em muitos trechos, o que mais se ouve são latidos de cachorros, já que há muitos animais de estimação espalhados pelas ruas e condomínios.
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Ruas largas e arborizadas agradam quem mora e quem visita o Butantã. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPO Butantã é visto como um bairro bastante familiar. As crianças contam com boas escolas e espaços para a prática de esportes e outras atividades, tanto em clubes e praças quanto no próprio campus da USP.
A presença massiva de estudantes universitários convive com famílias de longa data no bairro. Essa mistura cria um ambiente diverso, com diferentes perfis ocupando as mesmas ruas e comércios sem grandes conflitos.
Do outro lado da balança, o Butantã enfrenta problemas típicos de um bairro grande em São Paulo. Trânsito pesado, imóveis caros, queixas de segurança e falhas na manutenção pública aparecem com frequência nos relatos.
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De alguns anos para cá, o bairro passou por forte valorização imobiliária. Torres residenciais cresceram em várias áreas, e o processo de verticalização trouxe mais moradores e aumentou a pressão sobre as vias e serviços.
A especulação imobiliária e os empreendimentos voltados para estudantes da USP fizeram os aluguéis dispararem. Um apartamento simples de dois quartos chega facilmente à faixa de R$ 3.000 por mês, valor desafiador para muitos paulistanos
Quem aceita morar em regiões mais afastadas da USP ainda encontra preços abaixo da média para a região oeste, mas precisa abrir mão de conforto, localização ou facilidade de acesso. Para muita gente, esse é o principal ponto de atenção.
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O trânsito no Butantã não está entre os melhores. Em alguns horários, principalmente pela manhã, o fluxo de veículos com pessoas indo para o trabalho ou para deixar os filhos na escola explode. Nessse período, dirigir exige paciência, tanto para sair do bairro quanto para circular pelas principais vias.
Verticalização tem impactado trânsito na região e inflacionado aluguéis. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPA verticalização contribuiu para esse cenário. Com mais prédios e moradores, a quantidade de carros nas ruas cresceu, e a infraestrutura viária não acompanhou o ritmo. Ainda é possível trafegar de carro ou bicicleta, mas a qualidade do trânsito é apenas mediana.
No tema segurança, muitos moradores reclamam de roubos, assaltos, furtos e outros crimes, principalmente em certos trechos. Mesmo assim, há quem diga que, se o bairro fosse avaliado por nota, ela estaria dentro da média considerada aceitável para São Paulo.
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O policiamento é visto como insuficiente para um bairro que é praticamente uma cidade.
A presença de pessoas em situação de uso de drogas também aumentou e se tornou uma preocupação constante em diferentes pontos.
Quem mora nas favelas espalhadas pelo bairro sofre com as intemperes climáticas e falta de infraestrutura adequada.
Policiamento ainda é tímido, considerando o tamanho do bairro. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPA São Remo, ao lado da USP, é um exemplo de área considerada insalubre para quem mora ali. Em períodos de chuva forte, surgem riscos de alagamentos e inundações, que afetam diretamente os moradores. Quando está muito calor, as casas viram um forno.
As árvores são uma grande vantagem visual e climática, mas também revelam um problema de manutenção. O número é tão grande que a subprefeitura não consegue dar conta da poda e dos cuidados preventivos com a frequência ideal.
Em algumas regiões, moradores também reclamam de barulho alto. Há locais em que pessoas ouvem música em volume exagerado ou organizam festas com som forte até de madrugada, embora esses casos sejam considerados muito pontuais.
Grande vantagem do Butantã, a presença abundante de árvores requer manutenção constante. Foto: Joseph Silva/Gazeta SPOutro ponto que, para alguns, pode ser considerado negativo é o perfil dos moradores. Parte da população do Butantã não costuma ser muito simpática à primeira vista, e as pessoas tendem a ser mais fechadas e reservadas na convivência cotidiana.
Quem gosta de fazer amizade na fila do supermercado, por exemplo, pode sofrer um pouco. Em geral, os moradores não “fazem amizade fácil”, e será difícil criar laços contando apenas com encontros ao acaso nas ruas e comércios.
Se eu pudesse apontar a principal vantagem de morar no Butantã, seria a presença de natureza e de espaços livres para caminhar e praticar esportes, em um cenário em que parques paulistanos vivem lotados.
Se eu pudesse apontar a principal desvantagem, seria o custo de moradia para quem precisa pagar aluguel. Mesmo com opções mais baratas em áreas afastadas, o valor pesa muito na decisão de ficar ou procurar outro bairro.
Apesar dos problemas, o número de vantagens de morar no Butantã ainda supera o de desvantagens. Foto: Joseph SilvaAo pesar todos os fatores, o Butantã se mostra um bairro cheio de contrastes. Há quem se encante com a natureza e os espaços livres, especialmente no campus da USP, e há quem desista por causa dos preços altos e do trânsito puxado.
Muitos moradores apontam que a principal vantagem de morar no Butantã é a presença de natureza e de espaços livres para caminhar e praticar esportes, em um cenário em que parques paulistanos vivem lotados.
Já a principal desvantagem, segundo moradores, está no custo de moradia. Mesmo com opções mais baratas em áreas afastadas, o valor pesa muito na decisão de ficar ou procurar outro bairro.
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