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'Quero uma Câmara forte', diz Paulinho

Em entrevista, o novo presidente da Câmara ressaltou os desafios e a sua visão do atual cenário político da cidade Por Matheus Herbert De São Paulo

Eleito no começo deste mês para os próximos dois anos como presidente da Câmara de Taboão da Serra, o vereador Marcos Paulo (PPS), conhecido como Paulinho deu uma entrevista exclusiva à Gazeta e ressaltou os próximos desafios do legislativo e a sua visão do atual cenário político da cidade. Veja abaixo a entrevista completa com Marcos Paulo.

Paulinho nos últimos seis anos fazia parte da base do governo do atual prefeito do município, Fernando Fernandes (PSDB), mas antes das eleições à presidência deixou a base e se aliou a um Bloco Independente (B.I) de vereadores que passaram a ser oposição a Fernandes. O bloco é formado pelos vereadores tucanos André Egydio, Eduardo Nóbrega, Carlinhos do Leme e Érica Franquini, além de Alex Bodinho (PPS).

Prometendo diálogo, o novo presidente da Câmara destacou querer um legislativo forte e que possa ser respeitado.

GSP - Agora como futuro presidente do Legislativo Taboanense, o que senhor espera deixar como legado?

Marcos Paulo - Olha, o meu desejo é fazer um parlamento forte. Acho que muitas vezes o governo coloca o parlamento ao longo desses anos em uma esfera inferior, quando muitas vezes não é bem assim. Eu mesmo já tive muitas dificuldades com o atual governo em relação as demandas levadas para o prefeito. Uma vez levei uma demanda de uma lixeira do Jardim Jacarandá, e a prefeitura demorou sete meses para instalar a lixeira no bairro. Uma lixeira não custa nem R$ 2 mil. Queremos um parlamento forte, para que o governo administre junto com a Câmara. Somos um poder só.


GSP - Antes o senhor fazia parte da situação e recentemente passou a fazer parte de um Bloco Independente (B.I) de vereadores, fazendo com que o governo tenha a minoria na Câmara. Você será oposição?

Marcos Paulo - Eu sempre fiz parte da base do governo, porém agora faço parte do B.I. Ao longo desses seis anos, eu sempre apoiava a atual gestão. Mas, foi montado um grupo que eu não fazia parte e agora estou com ele e de qualquer forma não vou decidir nada sozinho, vamos decidir tudo em conjunto. Não vamos nos colocar como oposição, o que for bom para a cidade nós iremos votar e o que for ruim iremos discutir e tentar melhorar. A ideia inicial é essa.


GSP - Como aconteceu essa transição em deixar a base do governo e integrar o Bloco Independente?

Marcos Paulo - Eu fui candidato a presidente em 2014 e o prefeito Fernando Fernandes foi contra mim, e depois em 2016 a mesma forma, inclusive nós tínhamos naquele momento vereadores que nos dava uma ampla vantagem para a presidência, mas o prefeito articulou e fez com que eu não fosse eleito. Lá, havia um compromisso para a escolha do novo vereador, ou seria eu, ou o vereador André ou a Joice Silva. Naquele momento eu e André abrimos mão e a Joice foi eleita. Logo após, o André saiu do grupo e então ficou decidido que eu seria o sucessor na presidência. Mas depois eu fiquei sabendo que o candidato do atual governo seria o vereador Onishi, ai eu percebi que eu não teria o apoio novamente. Eu fui isolado, fui encostado e não participava das reuniões. Foi construído um cenário que eu percebi não fazia mais parte, ai surgiu o convite do Bloco Independente. Com a minha entrada no B.I o grupo ficou com a maioria no Legislativo. Eu fui um opositor do B.I, mas eles me mostraram que eu estava sendo desvalorizado. Eu me senti traído pelo governo.


GSP - Qual a influência do prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (PRB) no Bloco Independente?

Marcos Paulo - Na verdade, eu não posso falar ainda dessa influência porque eu estou chegando agora, não sei a fundo qual a aliança que o bloco tem com o prefeito Ney. Eu sei que ele ajudou os vereadores nesse processo de retaliação ao governo. De fato eu não sei qual a influência dele, quais são os compromissos dele. Na Câmara eu sou B.I, estarei com eles para 2020, não sei quem é o candidato a prefeito ou quais os nomes que estarão disponíveis. Eu me coloco à disposição para ajudar nesse processo. Precisamos nos unir para ter força, se colocar na balança os sete vereadores do B.I dão quase 30 mil votos, será um peso fiel na balança para onde esse grupo se não lançar um nome, com certeza terá um peso forte nas eleições.


GSP - O prefeito de Taboão da Serra, Fernando Fernandes (PSDB) já te parabenizou pela eleição?

Marcos Paulo - Não me ligou, eu também não liguei. Estamos aguardando os próximos capítulos desse
diálogo.


GSP - Mediante a toda essa situação, na sua opinião o prefeito Fernando Fernandes perdeu a gestão?

Marcos Paulo - A gestão não, eu acho que ele tá desgastado na parte política. Todas as gestões passam por problemas, seja na educação, na saúde ou na segurança. Tem cidades que não pagam os servidores, então problema sempre tem, faz parte. Mas na parte política ele tá desgastado e se não tiver habilidade pode agravar a situação política administrava. Esse é o meu ponto de vista.


GSP - Já temos algum projeto especial que entrará em votação no próximo ano?

Marcos Paulo - Um dos projetos que eu vou lutar no próximo ano é um curso de primeiros socorros para ser implantado nas escolas municipais de Taboão da Serra. Um projeto como esse pode gerar uma despesa mas também é um investimento. Queremos uma Câmara participativa e aberta à população.

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