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Após obras da Sabesp, moradores reclamam de rachaduras em casas em Taboão

Ao menos 20 imóveis foram afetados com rachaduras e outros transtornos como rompimento de tubulação Por Nely Rossany De São Paulo

Moradores do Jardim Clementino, em Taboão da Serra reclamam de vários transtornos após o início de uma obra da Sabesp no bairro. Ao menos 20 imóveis da rua Nicolau Gentile, foram afetados com rachaduras e outros transtornos como rompimento de tubulação de água.

A obra para a implantação de coleta de esgoto, começou em meados de fevereiro, mas as rachaduras teriam aparecido em abril.

“Todas as casas apresentaram rachaduras desde que começaram as escavações em abril. A Sabesp conversou com os moradores e explicou que algum impacto ia ter, mas não dessa maneira”, conta um dos líderes comunitários do bairro, Anderson Maioli.

Além de Maioli, Aelson Bezerra, dono de uma padaria na região, acompanha de perto o drama dos moradores. “Todos os dias chegam vídeos e fotos de reclamação de moradores pra gente. Alguém tem que tomar uma providência”, cobra Bezerra.

A reportagem da Gazeta esteve no local na manhã de sexta-feira (7) e percorreu ao menos seis casas e todas apresentavam rachaduras. “Moro aqui com minhas duas filhas e estou com medo, mais por elas mesmo”, contou João Augusto.

Já na casa da Márcia dos Santos, além das avarias nas paredes, ela sofre com outros transtornos. “Essa madrugada um cano estourou e a água começou a jorrar do azulejo do meu banheiro. Estou tendo que ficar o dia inteiro com o registro fechado porque é muita água mesmo que está vazando”, disse mostrando à reportagem a água vazando sem parar. Com medo, os moradores acionaram a Defesa Civil que informou que as casas não precisam ser interditadas e junto com a empresa Aliter Construções e Saneamento, contratada pela Sabesp para executar as obras também realizou vistoria nos imóveis. Veja reposta da Sabesp abaixo.

Obras fazem parte de projeto de despoluição do rio Tietê

Em nota enviada à Gazeta, a Sabesp informou que as obras fazem parte do Projeto Tietê, que busca contribuir para a revitalização progressiva do rio Tietê e seus afluentes e que na rua Nicolau Gentile, as obras são de implantação do coletor-tronco Pirajussara trecho 2, que têm previsão de término para agosto de 2019. “O coletor tem aproximadamente 2,1 quilômetros de extensão na sua totalidade, sendo 365 metros nesta rua”, explica.

Sobre as avarias nos imóveis, a Sabesp informou que os moradores que acionaram a empresa estão sendo prontamente atendidos e que até o momento não houve nenhum imóvel com necessidade de interdição.

“É importante destacar que a Sabesp, a Aliter e a Defesa Civil estiveram com os moradores na tarde de quarta-feira (5) para esclarecimentos sobre quais serão os próximos passos da empresa, permanecendo com os atendimentos imediatos para acompanhamento de cada imóvel. A Sabesp mantém o compromisso com todos os seus clientes de atender as demandas devidamente analisadas e procedentes logo após o encerramento dos serviços no local”, finaliza a nota.

Sabesp pode ser investigada em CPI

A Sabesp é alvo de várias queixas dos moradores de Taboão da Serra. Em maio, uma audiência pública foi convocada na Câmara de Vereadores para cobrar a empresa sobre a qualidade da água. Moradores de vários bairros se queixam que a água que sai das torneiras é barrenta e tem a cor amarelada. Na ocasião, a Sabesp não enviou nenhum representante e alegou que testes comprovaram que a água estava dentro dos padrões de qualidade.

“Fizemos uma audiência pública e a Sabesp simplesmente se omitiu e mandou uma nota informando que a água estava maravilhosa. Queria saber se alguém da Sabesp teria coragem de tomar aquela água escura”, indaga o vereador Professor Moreira (PSD). Segundo Moreira, já há um pedido de abertura de uma investigação sobre os serviços da Sabesp na cidade. “Solicitei uma CPI para que pudéssemos cobrar a Sabesp. Retorno na Câmara no dia 18, após meu afastamento por cirurgias, e nesse meio tempo, a Sabesp começou as obras no Clementino, e começaram a chegar as reclamações sobre as rachaduras nas casas”.

O vereador disse que a concessionária não explicou à população o impacto e o tamanho da obra. “E aí os moradores começaram a relatar o surgimento das rachaduras e a Sabesp não tomou nenhuma providência. Lembrando que a Sabesp cobra esgoto sem oferecer o serviço. Ela cobra para recolher e jogar o esgoto nos córregos. É muito grave o que está acontecendo. Se a empresa não tomar medidas que realmente melhorem o serviço oferecido, tanto na questão da qualidade da água, quanto das obras, eu não vejo outra alternativa a não ser manter o pedido de CPI para investigar de fato as obrigações contratuais que a Sabesp tem com a cidade”, finaliza Moreira.

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