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Sexta, 08 Novembro 2019 09:22

'Arrumamos a casa', diz prefeito de São Caetano

Com as contas em dia, José Auricchio Júnior prepara pacote antienchente para bacia do rio Tamanduateí
Naquele que considera o mais desafiador de seus três mandatos à frente da Prefeitura, José Auricchio começa a colher os frutos do ajuste fiscal implementado em 2017 Naquele que considera o mais desafiador de seus três mandatos à frente da Prefeitura, José Auricchio começa a colher os frutos do ajuste fiscal implementado em 2017 Letícia Teixeira/PMSCS
Da Reportagem
De São Paulo

Naquele que considera o mais desafiador de seus três mandatos à frente da Prefeitura de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB) começa a colher os frutos do ajuste fiscal implementado em 2017, que tirou o município do déficit fiscal de 25% do orçamento para superávit na casa de R$ 45 milhões neste ano. "Arrumamos a casa e, agora, vai sobrar tempo para entregar alguma coisa", disse o tucano, em entrevista exclusiva ao Diário Regional. Auricchio prepara programa antienchente para os bairros Prosperidade e Fundação, próximos ao rio Tamanduateí, uma vez que o piscinão Jaboticabal, com construção prevista para começar em 2020, deve erradicar as enchentes na bacia do Ribeirão dos Meninos. "Estamos trabalhando com (vistas à obtenção de) crédito internacional. Nos próximos dias teremos novidades."

Diário Regional (DR) - O Sr. iniciou o mandato com restos a pagar na casa de R$ 250 milhões, talvez o maior entre os sete prefeitos do ABC. Como foi administrar a cidade em situação tão adversa?

José Auricchio (JA) - Voltamos em uma condição muito difícil, com déficit fiscal corrente de 25% do orçamento, mas conseguimos imprimir um ajuste relativamente rápido. Nosso planejamento era retornar ao equilíbrio fiscal em 30 meses, mas conseguimos concluir o ajuste em 20 meses. Isso nos permitiu, neste segundo biênio de mandato, ter maior condição de realização, recuperar nossa capacidade de investimento e nos habilitar a projetos estruturantes para a cidade. Enfim, arrumamos a casa e, agora, vai sobrar tempo para entregar alguma coisa. Evidentemente, a situação ficará boa mesmo para o próximo prefeito, que encontrará as finanças saneadas.


DR - A Prefeitura de São Caetano iniciou este ano com superá­vit de R$ 44 milhões. Como estão as finanças agora?

JA - Houve muita frustração de receita ao longo de 2019, recursos que não entraram nos cofres da prefeitura. Como ainda temos três meses de orçamento para executar, não dá para saber se esse resultado vai se confirmar no final do ano. Porém, se não chegar nos R$ 44 milhões, vai ficar bem próximo disso.


DR - O que foi possível fazer com as finanças equilibradas?

JA - Mesmo com a frustração de receitas, tivemos neste biênio a possibilidade de investir em Saúde e educação como não imaginávamos que teríamos. Reformamos praticamente todos os equipamentos de Saú­de e boa parte na educação, dentro de novo padrão de atendimento. Implementamos algumas ações e retomamos programas sociais que haviam sido abandonados no passado recente, como o Profamília. Estamos investindo muito na área social e, com o superávit, pensaremos em problemas que demandam maior investimento, como o das enchentes.


DR - Quando o Atende Fácil Saú­de e o Hospital São Caetano, principais projetos de sua administração na área da Saú­de, estarão abertos?

JA - O deputado estadual Thiago Auricchio (PL, filho do prefeito) intermediou junto à agência Desenvolve SP a liberação de linha de crédito no valor de R$ 8 milhões, que vão nos possibilitar colocar o Atende Fácil Saúde para funcionar no ano que vem. A licitação já está na rua. Devemos iniciar as obras (na esquina das avenidas Goiás e Senador Roberto Simonsen, ao custo de cerca de R$ 20 milhões) em novembro e esperamos, no prazo de oito a dez meses, ter o novo equipamento funcionando.

Quanto ao Hospital São Caetano, estamos finalizando um projeto de convênio que visa permitir à USCS (Universidade de São Caetano) fazer a cogestão desse equipamento e transformá-lo em um hospital universitário, o que trará enormes ganhos para a sociedade. Nosso objetivo é entregá-lo antes do final deste ano. A resolução era muito complexa, porque o hospital foi fechado pela instituição que o mantinha (Sociedade Beneficente Hospitalar São Caetano), depois foi reaberto (em 2012) com menor oferta de serviços. Além disso, tinha a dívida. Agora, felizmente, encontramos uma solução de longo prazo para o equipamento. É importante destacar a reformulação de nosso sistema de urgência e emergência, com a inauguração de UPA (Unidade de Pronto Atendimento) compartilhada com o Hospital Municipal de Emergências (Albert Sabin), de forma que o atendimento no hospital fica restrito a munícipes e a UPA está aberta a qualquer cidadão. Também lançamos o programa Remédio em Casa, que deve chegar a 6 mil moradores até o final do ano. No Profamília, teremos uma perna de auxílio financeiro para aquisição de remédios para pacientes da terceira idade e de doenças especiais.


DR - Recentemente, um estudo da USCS mostrou aumento da participação dos sete municípios no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), com a consequente redução nas "fatias" do Estado e do governo federal. O Sr. sentiu esse problema?

JA - Claramente. Aliás, essa questão do financiamento da Saúde é a que torna mais urgente a revisão do pacto federativo. Os municípios e os governos dos Estados estão asfixiados e, mesmo assim, a gente assiste ao contínuo desinvestimento na Saúde por parte do governo federal. A situação fica mais assustadora quando o ministro da Economia (Paulo Guedes) propõe a desindexação dos gastos sociais. É uma situação complicada para todo mundo. A gente gasta 22%, 23%, às vezes 25% do orçamento (com Saúde), mas sempre fica devendo alguma coisa ao munícipe.


DR - O Sr. herdou a cidade com déficit de vagas no ensino e, depois, implementou programa de reforma e construção de escolas. Como está a situação?

JA - Acreditamos que, até o final deste governo, chegaremos ao equilíbrio entre oferta e procura na educação infantil, que é nosso maior problema. Entregamos duas escolas e vamos inaugurar mais cinco, que estão em obras ou em fase de licitação. Além disso, a reforma e ampliação de 20 unidades está na fase final. Também estamos aumentando o número de vagas no ensino médio municipal, inauguramos o Celef (Centro de Estudo de Línguas do Ensino Fundamental), com a meta de oferecer 6 mil vagas no ensino de segunda língua em 2020, e criamos o programa Almoço na Escola, de grande aceitação.


DR - O Sr. e o governador João Doria (PSDB) concederam à General Motors incentivos para a empresa manter suas operações no Estado. Porém, poucos meses depois, a montadora demitiu 180 engenheiros e sinaliza adotar layoff na unidade de São Caetano. A decisão da GM o decepcionou?

JA - Decepção não é o sentimento, mas sim preocupação. Os incentivos estavam voltados para a possibilidade real de a GM encerrar operações em São Caetano. O governador fez o esforço dele, eu fiz o meu e fomos exitosos, porque a empresa manteve a fábrica. O problema é que a economia brasileira não tem andado e a crise argentina afetou diretamente a produção da unidade, devido à queda nas exportações. Quero crer que esta situação é temporária e que, rapidamente, a GM vai retomar a criação de empregos.


DR - O governo do Estado publicou, na semana passada, o edital para a construção do piscinão Jaboticabal, que deve começar em 2020. O Sr. acredita que, com a obra, as enchentes na bacia do Ribeirão dos Meninos vão acabar?

JA - Nos bairros ribeirinhos ao Ribeirão dos Meninos, tenho quase certeza de que a construção do Jaboticabal e os piscinões existentes conseguirão erradicar as enchentes. Porém, temos agora de tratar da bacia do Tamanduateí, que beira os bairros Prosperidade e Fundação. Esse lado preocupa mais, porque demanda soluções de maior impacto financeiro e exige composição com outros municípios.


DR - Em setembro, o Sr. obteve a aprovação, no Ministério da Economia, do Projeto de Desenvolvimento e Saneamento Ambiental, o que abre caminho à obtenção de financiamento internacional para obras de macrodrenagem. Como estão essas discussões?

JA - Estamos trabalhando internamente com (vistas à obtenção de) crédito internacional. Trata-se de um conjunto de intervenções que ainda estão em discussão e que terá impacto ambiental e na mobilidade do bairro Prosperidade. Acredito que, nos próximos dias, teremos novidades.


DR - Como tem sido a relação com o governo Doria?

JA - Os primeiros meses têm sido muito positivos. Doria imprime dinâmica muito própria ao governo, de respostas rápidas, e é inegável que tem tido olhar especial para o ABC. Tivemos ganhos com a inauguração da farmácia de alto custo, com o financiamento do Desenvolve SP para o Atende Fácil Saúde. Na questão do Jaboticabal, se o ABC será beneficiado, São Caetano o será à milésima potência.


DR - Qual é sua avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL)?

JA - É um governo que, até agora, me trouxe muito mais angústias do que respostas, que gasta tempo enorme com pautas políticas e de costumes que têm pouco impacto na vida das pessoas. A reforma da Previdência é uma notícia alvissareira, mas é preciso avançar mais nas demais reformas.


DR - A eleição do deputado estadual Thiago Auricchio (PL) interrompeu jejum de 12 anos sem que a cidade tivesse representante na Assembleia. Que ganhos seu filho trouxe nesses sete meses de mandato?

JA - Primeiro, a melhora na autoestima do são-caetanense por ter um representante no parlamento paulista. Em termos concretos, o Thiago foi diretamente responsável pela obtenção do crédito para o Atende Fácil Saúde. Foi intervenção dele também, juntamente com o governador, a inauguração da farmácia de alto custo. Evidentemente, como iniciou o mandato este ano, Thiago só poderá indicar emendas para o orçamento de 2020, mas tem sido muito atuante, um ganho para a cidade.


*Por Anderson Amaral, do Diário Regional

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