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Prefeitura de Santos revista e recolhe materiais da população de rua

Imagens foram compartilhadas nas redes sociais do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa Por Rafaella Martinez De Santos

As imagens foram compartilhadas nas redes sociais do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa. Em uma delas, dois guardas municipais revistam uma pessoa em situação de rua que transporta cobertores e pertences pessoais; em outra, três profissionais abordam um homem que dorme em um banco de concreto. No texto que acompanha as fotos, a equipe do prefeito classifica como “limpeza” o ato de abordar e recolher os pertences da população que dorme na orla da praia.

O texto destacava uma ação de zeladoria. “Sábado também é dia de força-tarefa para limpeza da Cidade! Hoje, realizamos uma grande ação na orla da praia com a Guarda Municipal. Durante a semana, também intensificamos a atuação retirando materiais abandonados por pessoas em situação de rua para manter a ordem e dar mais segurança à população. Com a união de esforços das equipes de limpeza, de abordagem social, consultório na rua, Ouvidoria e o apoio da GM e CET, já foram recolhidas mais de 7 toneladas de materiais das ruas até esta semana”.

O post recebeu dezenas de reclamações de munícipes que questionaram a ação da prefeitura. Uma das reclamações partiu da vereadora Telma de Souza, que destacou que ‘o morador em situação de rua não é um problema de limpeza da cidade’

A reportagem conversou com algumas pessoas que dormem nas ruas da cidade na manhã de ontem (12). Todas foram unânimes ao dizer que mesmo sem o registro fotográfico evidenciado no último sábado, os abusos por parte da Guarda Municipal são constantes.

“Todo dia de manhã eles passam acordando o pessoal que dorme na grama do jardim. Dizem que a gente não pode ficar porque os carrinhos estão para abrir e tudo precisa estar limpo. Tem períodos, principalmente perto de feriado e final de ano, que é quando a cidade precisa ficar bonita para os turistas, que eles agem com mais truculência e tiram tudo o que a gente carrega. Só deixa os documentos, mas levam as roupas, os cobertores e as mochilas. Jogam tudo no caminhão”, conta o mochileiro C., que vive nas ruas há cinco anos.

Nas ruas desde 2008, A.B. lamenta o constrangimento que recorrentemente passa. “Eles revistam tudo, quando a gente reclama de qualquer coisa humilham, jogam tudo fora. É tudo muito triste e revoltante”, conta.

Ele afirma ainda que os critérios para usar o Centro POP são muito específicos, o que não auxilia quem deseja sair da condição de rua. “Tem que chegar lá antes das 5h porque tem número limitado de vagas para tomar banho e café da manhã. Sabe, quem vive nessa situação já perdeu muita coisa, já se acostumou com muita coisa. E quando quem decide ajudar faz isso meio de que de má vontade a coisa realmente não funciona”, desabafa.

Centro POP

No serviço de atendimento especializado (Centro Pop) de Santos, uma das ações desenvolvidas é a oferta de recâmbios àqueles que são de outros municípios e têm interesse em retornar a sua cidade.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Santos elencando todas as denúncias feitas. Em entrevista exclusiva ao Diário, Rogério Santos, secretário de Governo, afirma que houve um equívoco na interpretação da postagem, que se tratava de uma força-tarefa focada na limpeza dos jardins da praia.

“Recebemos na Ouvidoria diversas reclamações sobre uso abusivo do jardim da praia, uso de drogas ilícitas, pequenos delitos e ações de flanelinhas. Essa ação acontece durante todo o ano e são intensificadas perto da temporada e do início da Operação Verão. É importante destacar que o foco não é nas pessoas em situação de rua e sim na ação de qualquer indivíduo que esteja fora do código de postura”, destaca.

De acordo com ele, dentro das atribuições da Guarda Municipal listadas na Lei 13.022 de agosto de 2014 está a proteção ao indivíduo e o zelo pelo cumprimento do código de posturas do município. “Esse código deve ser seguido por todo cidadão. Essa ação de limpeza envolveu 30 servidores e abordou 124 pessoas, culminando com a apreensão de equipamentos sonoros e uma churrasqueira; 11 intervenções em esportes realizados fora do horário permitido; sete abordagens em pessoas com cães sem coleiras; duas ocorrências com flanelinhas e uma carroça retirada do jardim”, elenca.

De acordo com Rogério, a postagem não está relacionada diretamente à população de rua e qualquer pessoa que infligir o código de posturas do município pode ser abordada.

“Notamos o aumento no número de pessoas nas ruas e a Secretaria de Desenvolvimento Social trabalha na abordagem humanizada dessa população. A Prefeitura também realiza junto com a Unifesp um levantamento para entender e poder pensar políticas públicas. Já as ações com a zeladoria e a segurança estão dentro da legalidade, de acordo com as atribuições da legislação”, finaliza.

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