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Quinta, 07 Fevereiro 2019 13:31

Escolas de Ilhabela desviam do aterro 145 toneladas de orgânicos em 1 ano

Em pouco mais de 11 meses, foram desviadas do aterramento cerca de 145 toneladas de resíduos úmidos
Por Folhapress
De São Paulo

Desviar os orgânicos do aterramento numa cidade com coleta estruturada já é um ganho ambiental e econômico e tanto, uma vez que a parcela úmida dos resíduos é 51% do total do lixo domiciliar.

Fazer isso numa ilha é ainda mais significativo, dadas as dificuldades de logística. Em Ilhabela, que vive uma crise de saneamento sem precedentes, é uma notícia boa numa maré ruim . Associar esse ganho a um programa de educação ambiental, que envolve professores, funcionários e pais, potencializa os pontos positivos.

Uma experiência assim vem sendo conduzida desde o início do ano passado nas escolas municipais de Ilhabela. Em pouco mais de 11 meses, foram desviadas do aterramento cerca de 145 toneladas de resíduos úmidos. O programa atinge também pequenas escolas de comunidades isoladas em que a coleta é feita em barcos e canoas.

Através da compostagem de sobras de alimentos dos refeitórios, podas de jardinagem, folhas secas, grama e serragem, as escolas envolvidas desenvolvem atividades interdisciplinares, em aulas de matemática, química, física, biologia, história, filosofia e artes.

A compostagem é o ponto de partida para discussões sobre a problemática dos resíduos na ilha, e reflexões sobre alternativas de desenvolvimento, agricultura urbana, agricultura orgânica, produção de plásticos, alimentação saudável.

O projeto foi uma iniciativa da Secretaria de Educação de Ilhabela, que contratou a Morada da Floresta, empresa especializada em soluções ambientais com foco especial em compostagem. A Morada executou o projeto e tem a parceria da Flow Desenvolvimento Sustentável e Consciente para acompanhar as visitas técnicas de implantação e supervisão nas escolas durante todo o projeto.

Numa primeira fase, que envolveu 14 escolas maiores, foram distribuídos cilindros para compostagem termofílica.
Na segunda fase, mais 25 escolas que têm espaço e geração menores de resíduos orgânicos receberam composteiras com minhocas.

As escolas receberam balanças para medição da quantidade de resíduos destinados a compostagem, termômetros para monitoramento e ferramentas como pás e enxadas. Os dados foram usados em atividades de matemática e ciências.

"No início, houve uma fase de sensibilização de funcionários, professores e merendeiras para explicar o projeto e os ganhos que poderiam obter", conta Victor Argentino, da Morada da Floresta. "Não queríamos que a compostagem fosse vista como uma nova lixeira, onde você joga dos restos e esquece", afirma.

"Além de um programa associado à temática de resíduos sólidos, em acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a compostagem foi utilizada como um ferramenta de educação ambiental, em acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental", diz Victor.

"É um processo educativo que envolve a todos. Cada escola tem uma dinâmica própria. Em algumas, o grupo que ficou responsável envolvia diretor e alguns alunos. Em outra escola, uma série", conta. Eram os "guardiões da compostagem". "Os professores foram fundamentais para o sucesso do projeto, trabalhando a temática da compostagem de diversas maneiras em sala", acrescenta Victor.

A atividade despertou curiosidade dos pais. Foram organizadas oficinas para eles e para a vizinhança. A compostagem incentivou o cultivo de hortas, que algumas escolas já tinham. Nas menores, foram criadas hortas em caixotes.

No período de 11 meses, foram geradas 58 toneladas de composto - em geral, o composto representa 40% do total do resíduo orgânico colocado para compostar. O composto foi distribuído para pais e funcionários e enviado a escolas com hortas maiores.

Segundo cálculo da Morada, a prefeitura da Ilhabela economizou cerca de R$ 84.796,07 aos cofres públicos em 2018 . "Estimamos que, em 2019, a economia seja de R$ 106.733.570,46, pois agora todas as escolas iniciaram a compostagem junto com o ano letivo". A estimativa leva em conta o custo médio de R$ 584,31 por tonelada para coleta, transporte e aterramento em Ilhabela, de acordo com a base de 2016 (SNIS - 2018).

Segundo Claudio Spínola, criador da Morada, cerca de 7 mil pessoas foram diretamente atingidas pelo projeto, entre alunos (6.155) e funcionários (825). "Estimamos que as pessoas diretamente envolvidas devem ter compartilhado algo sobre compostagem com pelo menos 2 ou 3 pessoas, atingindo um público adicional indireto de 17.450 pessoas, o que seria quase 3/4 da população fixa de Ilhabela", diz.

"É uma aposta razoável porque houve participação ativa dos pais no projeto, em mutirões de plantio e compostagem e durante eventos de meio ambiente promovidos pela prefeitura e secretarias", acrescenta.


*Por Mara Gama, da Folhapress

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