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Escolas históricas de Santos sofrem com abandono

Prédios que já foram um dia local de aprendizado estão sucateados Por Diário do Litoral De Santos

Rachaduras nas paredes, grades corroídas, beirais quebrados, sinais de infiltrações e mofo. Os lugares que já foram um dia sinônimo de aprendizado e marcaram gerações de santistas são hoje símbolo de descaso e abandono.

Acácio de Paula Leite Sampaio, Canadá, Docas de Santos e Escolástica Rosa. Para todos há (ou pelo menos havia) projetos de obras e restaurações, mas sem data definida. Enquanto isso, as deteriorações continuam.

Construído em 1967, o prédio da antiga Escola Municipal Acácio de Paula Leite Sampaio, na Rua Sete de Setembro, 14, Vila Nova, já chegou a abrigar cerca de 700 alunos em seus mais de 3 mil metros de área construída.

No final de 2013, a Prefeitura de Santos encerrou os cursos técnicos oferecidos na escola municipal e anunciou um convênio com o Centro Paula Souza (CPS) para a instalação de uma Etec no prédio. Havia expectativa de cursos desde 2017, o que não aconteceu.

Motivo de denúncia no Ministério Público Estadual (MPE) e tema de debate na Câmara de Santos, o abandono deve permanecer por um bom tempo, já que o CPS informou não haver previsão financeira para investimento no prédio.

Docas de Santos

'Ruínas Históricas do Colégio Docas'. É esse termo que aparece ao pesquisar no Google pelo imóvel da Rua Campos Melo, 130. Fundada em 1907 pela Associa Associação Beneficente Docas, o que sobrou da escola é o que diz o buscador: ruínas.

O imóvel passou para a Prefeitura de Santos em 1994, mas foi fechado em 2005, após desapropriação do prédio em meio a um imbróglio entre a associação e a municipalidade. Em 2016, o terreno com os restos da estrutura da escola foi doado para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que pretendia erguer um prédio de sete andares no local, o que não aconteceu.

"A Unifesp mantém todo o planejamento de expansão do Campus Baixada Santista em consonância com seu Plano Diretor de Infraestrutura, aprovado em 2015. Entretanto, as obras só poderão ser iniciadas quando da entrega definitiva do Projeto Executivo, em tramitação final em órgãos específicos de aprovação, e quando da destinação de verba para a finalidade das obras, ainda sem data prevista para ocorrer", declarou, em nota, a Unifesp.

A universidade afirma estar negociando com o MEC orçamento de capital para contemplar todas as suas obras nos diferentes campi, incluindo o da Baixada Santista. E ainda que o projeto executivo da obra já está finalizado e entregue e, com ele, a Unifesp conseguiu aprovação para captação de recursos via Lei Rouanet. "O projeto do restauro está sendo submetido a Editais para fins desta captação, tais como do BNDES e Edital de Patrocínio da Codesp. O valor da obra gira em torno de R$ 6 milhões de reais". No local, será instalado o Serviço Escola Integrado.

Escolástica Rosa

No final do ano passado, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ordenou que, por motivos de segurança dos alunos e funcionários, o CPS desocupasse o prédio onde fica a Etec Dona Escolástica Rosa, na Ponta da Praia. O edifício pertence à Santa Casa de Santos e foi alugado pelo CPS para que a Etec funcionasse no imóvel, que apresenta hoje danos estruturais graves.

O MPT recomendava que fossem tomadas providências como a restauração dos forros dos tetos e beirais do telhado de todo o imóvel. Entretanto, a Santa Casa alegou não ter verbas para fazer a reforma e optou por não renovar o contrato com o CPS.

A Santa Casa, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que ingressou com ação de despejo contra o CPS e aguarda a finalização do processo. Após o recebimento das chaves, a Santa Casa fará vistoria com sua equipe de colaboradores para anunciar os próximos passos.

Já o Centro Paula Souza disse que "a instituição está negociando com o proprietário como será feita a desocupação e a devolução do antigo imóvel. A Etec Dona Escolástica Rosa funciona em novo endereço, na Vila Mathias, em um espaço mais moderno e melhor adequado às necessidades dos estudantes". Os estudantes estão agora na Avenida Senador Feijó, 340.

Colégio Canadá

Criado em 1934 pelo governador Armando Sales de Oliveira, o Instituto de Educação Canadá, hoje Escola Estadual Canadá, foi a primeira escola secundária estadual da cidade de Santos. O nome é uma homenagem ao país de origem da empresa que doou o terreno na Rua Mato Grosso, a Companhia City.

A Diretoria Regional de Ensino de Santos informou que, neste ano, a Escola Estadual Canadá recebeu serviços de manutenção com investimento total de R$ 33 mil. Está em andamento um projeto para reforma da cobertura do anfiteatro da unidade.

Com exceção do Docas, as outras três escolas são tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).

Nas redes sociais, o tom saudoso de ex-alunos mostra que, pelo menos nas memórias dos santistas, os lugares continuam vivos.


*Por Caroline Souza, do Diário do Litoral

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