últimas notícias

Após Erdogan e Netanyahu trocarem acusações, Israel derruba caça sírio

Depois da troca de acusações entre Turquia e Israel, as tensões na região aumentaram ainda mais após Tel Aviv anunciar ter derrubado um caça sírio que teria entrado em seu espaço aéreo Por Folhapress De São Paulo

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chamou Israel de país "mais racista e fascista do mundo" nesta terça-feira (24). A fala gerou uma resposta imediata do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que acusou Ancara de ser responsável por massacres na Síria.

Logo depois da troca de acusações, as tensões na região aumentaram ainda mais após Tel Aviv anunciar ter derrubado um caça sírio que teria entrado em seu espaço aéreo - o que Damasco nega. A ação não teve ligação com a Turquia.

As críticas de Ancara foram feitas após o Parlamento israelense aprovar na última quinta (19) uma lei que define o país como Estado-nação do povo judeu.

Para Erdogan, a legislação é discriminatória em relação à minoria árabe que vive no país e aproxima Israel da Alemanha nazista. "Não existe diferença entre a obsessão de Hitler com a raça ariana e a mentalidade de Israel. O espírito de Hitler ressurgiu entre os governantes de Israel", disse ele.

"A lei do Estado-nação judeu aprovada pelo Parlamento israelense mostra as verdadeiras intenções deste país. Ela legitima todas as ações ilegais e a opressão", afirmou Erdogan no Parlamento turco. Ele acusou ainda Israel de ter se tornado um "Estado de terror" contra os palestinos e acrescentou que a medida "afogará a região e o mundo em sangue e sofrimento".

O texto aprovado no Parlamento israelense define o "Estado de Israel como o Estado-nação do povo judeu, onde este aplica seu direito natural, cultural, religioso, histórico". Afirma ainda que "o direito de exercer a autodeterminação dentro do Estado de Israel está reservado unicamente ao povo judeu".

Ex-aliados, Turquia e Israel expulsaram seus principais diplomatas respectivos em maio devido a uma desavença a respeito de confrontos nos quais dezenas de palestinos foram mortos por forças de Israel na fronteira com Gaza - mas os dois lados mantêm relações comerciais. Os dois países estão em atrito há tempos por causa da política israelense em relação aos palestinos e ao status de Jerusalém.

Netanyahu, que apoiou a aprovação da lei, respondeu em um comunicado na qual criticou os gestos autoritários do turco. "Erdogan massacra sírios e curdos e prende dezenas de milhares de turcos (...) Sob seu poder, a Turquia se torna uma sombria ditadura", afirmou ele.

"Israel defende com constância a igualdade de direitos de todos os cidadãos, antes e depois da votação desta lei", completou Netanyahu.

A Turquia tem feito ações militares em regiões da Síria que ficam próximos a sua fronteira, em especial contra grupos da minoria curda. Já Israel, por diversas vezes, bombardeou alvos específicos do governo sírio ou do Irã, aliado de Damasco.

Por isso Israel afirmou que derrubou o caça sírio nesta terça apenas após as sirenes na fronteira avisarem que a aeronave tinha entrado no espaço aéreo do país. A Síria, porém, afirma que ele estava em seu território.

Foi o primeiro caça sírio derrubado por Israel desde 2014 e apenas o segundo desde 1985, de acordo com o jornal israelense Haaretz. Após ser atingida por dois mísseis, a aeronave caiu do lado sírio das colinas de Golã, mas não há informações sobre o estado de saúde do piloto.

Tops da Gazeta