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Argentina impõe taxas às exportações e reduz gabinete pela metade

O pacote de medidas anunciado pelo governo argentino propõe a redução pela metade do gabinete ministerial e um corte de 4% nos gastos da administração pública Por Folhapress

O governo argentino anunciou, na manhã desta segunda-feira (3), um pacote de medidas para reestabilizar a economia, que vem sofrendo nos últimos cinco meses "uma tormenta", nas palavras do presidente Mauricio Macri, na qual o dólar perdeu 50% de seu valor e os juros foram aumentados para 60%.

Entre elas estão um novo imposto às exportações - de 4 pesos para cada dólar nos produtos primários e de 3 pesos para cada dólar no restante -, a redução pela metade do gabinete ministerial e um corte de 4% nos gastos da administração pública. O objetivo é adiantar o cronograma de redução do déficit fiscal para zero, previsto para 2020, já para o próximo ano.

Quem surgiu primeiro foi Macri, num vídeo pré-gravado de 20 minutos. O presidente apareceu com voz arfante e cara de tristeza, dizendo que este era "o pior momento de sua vida desde o sequestro" (o presidente foi sequestrado nos anos 1990 e ficou recluso por 12 dias enquanto se negociava seu resgate).

Com doses inéditas de dramatismo, seu discurso continuou: "sei o que vocês estão sentindo, porque eu estou sentindo a mesma coisa", e "muitos estão se perguntando como é possível que vínhamos bem, e agora não é mais assim?"

Acrescentou que sabe que o imposto às exportações é "mau, muito mau" e que a recessão será mais longa e pronunciada do que se esperava. Mas que o caminho que considera correto "não é linear, é necessário fazer os ajustes de modo mais rápido do que queríamos".

Justificou o novo momento dizendo que a seca deste ano, a conjuntura internacional com a guerra comercial entre China e Estados Unidos e a corrupção herdada do governo anterior "levantou dúvidas entre os que nos emprestavam dinheiro para nos ajudar a atravessar este rio. Por isso agimos rápido e buscamos o FMI, que nos tem dado total respaldo".

Finalizou dizendo que "a mensagem deve ser clara, não podemos gastar mais do que temos, porque isso nos leva a pedir mais dinheiro emprestado e termos mais inflação".

E pediu confiança da sociedade, lembrando que "durante dois anos fomos bem, freamos o caminho que nos levaria a ser como a Venezuela, crescemos, criamos emprego, construímos obras de infraestrutura. Mas agora a situação é outra e precisamos fazer novos esforços e sacrifícios."

Na sequência, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, apresentou o novo imposto às exportações e o adiantamento do cronograma para reduzir o déficit fiscal para zero em 2020.

Também alegou que as dificuldades começaram com a mudança do cenário internacional, mas reconheceu que "nós também erramos, ao deixar um pouco de lado a preocupação com a política fiscal. Agora fomos pegos de surpresa pelo novo contexto internacional, que nos agarrou sem que tivéssemos ainda ajustado nossas contas internas".

O corte dos ministérios e a transformação de muitos deles em subpastas ou secretarias, assim como os nomes que os ocupariam serão anunciados ao longo do dia.

O presidente passou o fim de semana reunido com sua equipe na residência oficial, em Olivos. Dujovne e a equipe econômica viajam nas próximas horas para renegociar o acordo com o FMI, acertado em junho e que garantia ao país uma linha de crédito de US$ 50 bilhões (R$ 206 bilhões). A intenção é acelerar o envio das cotas desse empréstimo.

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