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Governo argentino prevê queda de 0,5% na economia em 2019

O governo prevê que, em 2019, haverá uma queda da economia de 0,5%, que a inflação acumulada diminuirá para 23% e que o dólar se firme no valor atual, numa média de 40 pesos Por Folhapress

O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, apresentou nesta segunda-feira (17), na Câmara de Deputados do Congresso argentino, o projeto de orçamento do governo para 2019. Os debates parlamentares e a posterior votação terão início a partir da próxima quinta-feira (20).

No projeto, o Executivo prevê que, em 2019, haverá uma queda da economia de 0,5%, que a inflação acumulada diminuirá para 23% (a projeção para 2018 é de 45%) e que o dólar se firme no valor atual, numa média de 40 pesos.

O objetivo principal será o de atingir o déficit fiscal zero.

Estes foram os pontos principais da negociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e de seu cumprimento dependerá a liberação das próximas cotas da linha de crédito de US$ 50 bilhões - acordo que vem sendo renegociado com o fundo e cujo resultado será anunciado nas próximas semanas.

Apesar de sugerir fortes ajustes, o projeto de orçamento prevê um aumento de 29% para a área da saúde e que o aumento das tarifas públicas (água, eletricidade, gás e transportes, cujos subsídios vêm sendo retirados) não seja maior do que a inflação.

Para aprovar tal plano, o governo necessitará do voto de 140 deputados e 50 senadores, algo que não possui apenas com os integrantes das bancadas governistas nas duas casas.

Terá de pedir apoio aos peronistas moderados e outras forças de oposição para garantir um mínimo de 32 votos a mais. Nesse esforço, o presidente Mauricio Macri já realizou algumas reuniões com os governadores de províncias comandadas pelo peronismo moderado, para pedir que convençam seus senadores a votarem pela aprovação do Orçamento.

A situação, que no começo do ano era mais favorável ao governo, se modificou um pouco com as medidas de ajustes dos gastos das províncias e com o contexto econômico geral do país - a desvalorização do peso e aumento da inflação, que dispararam a partir de abril.

Ainda assim, o ministro do Interior, Rogerio Frigelio, e o da Fazenda, Nicolás Dujovne, dizem estar otimistas sobre a obtenção dos votos necessários. O ministro afirmou que a economia, neste ano, terá uma queda de 2,4%.

"Trata-se do resultado de uma série de choques externos e internos que a economia argentina enfrentou, e dos quais ainda não se recuperou, encontrando-se ainda vulnerável", disse Dujovne.

O ministro voltou a enumerar que, entre as principais causas da chamada "tormenta", pelo governo, estão a crise nos países emergentes provocada pela guerra comercial entre China e EUA, a seca no interior do país que comprometeu a safra de soja e outros produtos e a necessidade de o país de financiar-se com aportes estrangeiros.

Dujovne tentou transmitir otimismo. "Estamos convencidos de que sairemos fortalecidos dessa recessão, já que a economia contará com um tipo de câmbio real mais competitivo, o que nos dará força para as exportações. O equilíbrio fiscal primário irá permitir que dependamos cada vez menos dos mercados internacionais de crédito e o Banco Central verá facilitada sua luta contra a inflação ao não ter que prover financiamento ao Tesouro."

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