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Em Portugal, segunda etapa da Lava Jato no exterior mira operador da Petrobras

O objetivo da operação era recolher possíveis provas e evidências que Mário Ildeu de Miranda teria escondido na capital portuguesa Por Folhapress

Em sua segunda etapa no exterior, a Lava Jato realizou uma operação de busca e apreensão em endereços de Lisboa ligados a Mário Ildeu de Miranda, apontado como operador financeiro em esquemas de corrupção da Petrobras.

Deflagrada na madrugada desta terça (25), a 54ª fase da operação foi uma cooperação do Ministério Público Federal do Brasil com o MP português e a Polícia Judiciária lusa.

As autoridades cumpriram cinco mandados relacionados ao caso. O objetivo era recolher possíveis provas e evidências que Mário Ildeu de Miranda teria escondido na capital portuguesa.

Alvo de um mandato de prisão preventiva na 51ª fase da Lava Jato, deflagrada em 8 de maio, o operador não foi detido na ocasião pela polícia. Segundo o MPF, o investigado partira para Portugal na véspera da operação, levando consigo quatro grandes malas de viagem e equipamentos eletrônicos.

Uma semana depois, em 14 de maio, Mário Ildeu de Miranda se apresentou à polícia, mas sem os dispositivos pessoais que levou ao exterior.

Os investigadores acreditam que esse material, que provavelmente contém informação relevante para a Lava Jato, tenha ficado em Lisboa. Com base nisso, foi pedida a operação de busca e apreensão justamente para detectá-los.

Segundo nota do MPF, as buscas também pretendem "identificar provas de outros crimes, ainda não denunciados, para a continuidade das investigações".

Após pagar fiança de R$ 10 milhões, o operador Mário Ildeu de Miranda foi liberado da prisão.
Engenheiro, ele foi citado pelo Ministério Público no âmbito da Lava Jato em 2015 como um dos elementos de um intrincado esquema de empresas que usaria bases na Europa para movimentar dinheiro da corrupção na Petrobras.

Miranda teria fundado, em Malta - ilha com status de paraíso fiscal na Europa - a empresa Lusoil Project Management Limited. No mesmo período, foi criada em Portugal a Seaoil Project Management Limited, com a Lusoil entre os sócios.

Quando sua prisão foi pedida, as investigações apontavam pagamento de propina superior a US$ 56,5 milhoes entre os anos de 2010 e 2012, relacionados à esquemas de corrupção da Odebrecht com a estatal de petróleo.

Parte dos pagamentos teria contado com o apoio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como "departamento da propina" da empreiteira.

Segundo o MPF, Mário Ildeu de Miranda teve participação fundamental "para que os recursos, na ordem de pelo menos US$ 11,5 milhões, chegassem a contas secretas mantidas no exterior por funcionários corrompidos da Petrobras"

COOPERAÇÃO

Diante dos indícios de haver provas escondidas no exterior, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba obteve autorização judicial perante a 13ª Vara Federal de Curitiba para formalizar pedido de cooperação internacional com Portugal.

Em nota, o procurador da Republica Júlio Noronha, integrante da forca-tarefa Lava Jato em Curitiba e que acompanhou as buscas em Lisboa, ressaltou a cooperação com as autoridades portuguesas.

"Vamos atrás das provas onde elas estiverem. As fronteiras nacionais não impedem as investigações. Como as medidas cumpridas evidenciam, a realidade é que o Ministério Público Federal, com o auxílio de autoridades estrangeiras, hoje busca não apenas bens e valores mantidos no exterior, mas provas dos crimes cometidos no Brasil".

A primeira fase internacional da Lava Jato também aconteceu em Lisboa. Em 21 de março de 2016, uma operação conjunta entre autoridades dos dois países prendeu o luso-brasileiro Raul Schmidt Felippe Junior, apontado como um dos principais operadores do esquema de corrupção na Petrobras.

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