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Com aceno a súditos, novo imperador japonês defende prosperidade mundial

Naruhito disse esperar que o Japão contribua ainda mais com a pacificação da comunidade internacional e que continue a ajudar no bem-estar e prosperidade da humanidade Por Folhapress

Em uma rápida cerimônia, de cerca de meia hora e com a presença de monarcas europeus, o novo imperador do Japão, Naruhito, proclamou nesta terça-feira (22) a sua ascensão ao trono real.

Na solenidade, ele disse esperar que o Japão contribua ainda mais com a amizade e a pacificação da comunidade internacional e que continue a ajudar no bem-estar e prosperidade da humanidade.

"Eu sinceramente espero que o nosso país, por meio da sabedoria e permanente esforço de nossa população, alcance um desenvolvimento mais amplo e contribua com a amizade e a pacificação da comunidade internacional", disse.

Em um aceno aos súditos japoneses, o imperador disse que cumprirá o seu papel constitucional de ser um símbolo de unidade nacional e que sempre estará ao lado da população.

"Eu atuarei de acordo com a constituição e cumprindo minha responsabilidade como símbolo da unidade da sociedade japonesa, sempre desejando a felicidade das pessoas e a paz mundial e direcionando meus pensamentos à população", afirmou.

Ele lembrou que seu pai, o imperador emérito Akihito, compartilhou durante o seu reinado momentos de alegria e pesar com a sociedade japonesa, demonstrando compaixão.

O novo imperador assume a função com o desafio de humanizar a família imperial japonesa, que é a dinastia mais antiga do mundo, e aproximá-la da população em geral.

O evento foi uma espécie de consagração da ascensão de Naruhito ao trono, uma vez que, desde o final de abril, ele já ocupa formalmente a função.

Ele assumiu o posto após a abdicação de seu pai, a primeira nos dois últimos séculos de monarquia japonesa.
Desde então, o Japão entrou na era de Reiwa, que significa "venerável harmonia". Segundo a tradição, o reinado de cada imperador recebe um nome diferente.

O ritual, promovido no Palácio Imperial nesta terça-feira (22), teve início por volta das 13h (1h da manhã no Brasil).

No chamado Trono de Crisântemo, que é inicialmente é cercado por cortinas, Naruhito foi apresentado com trajes tradicionais japoneses e um cetro nas mãos.

Na sequência, um segundo trono, colocado ao lado do primeiro, teve as cortinas abertas para apresentar a imperatriz Masako.

Após o discurso do imperador, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, cumprimentou o casal real e fez uma rápida fala, na qual congratulou o imperador em nome da sociedade japonesa.

Ao final, ele puxou três gritos de "Banzai", termo utilizado para louvar o imperador e desejar uma vida longa, e canhões foram disparados em sua homenagem.

Na sala de ascensão, assistiram à cerimônia apenas membros da família real japonesa e integrantes da cúpula do governo.

Em um ambiente próximo, também no Palácio Imperial, acompanharam o ritual por grandes telões cerca de 2 mil convidados, incluindo o príncipe Charles, do Reino Unido, e os reis da Holanda, Willem-Alexander, e da Bélgica, Philippee.

O presidente Jair Bolsonaro compareceu à solenidade representando o Brasil, na companhia do embaixador do país no Japão, Eduardo Saboya.

Ele vestiu um fraque preparado para o entronamento japonês, com medalhas de honrarias brasileiras.

Bolsonaro fez questão de usar a Medalha do Pacificador com Palma do Exército, concedida a ele por ter salvado a vida de um soldado em 1978.

Pela manhã, antes da cerimônia, o casal imperial visitou três santuários religiosos e Naruhito leu um texto sagrado em japonês antigo para a divindade do sol, no santuário do Palácio Imperial.

Ainda nesta terça-feira (22), ele oferecerá um banquete às autoridades estrangeiras, com a presença do presidente brasileiro. Ao todo, são promovidos quatro banquetes imperiais.

O desfile em carro aberto pela região central de Tóquio, que era programado também para esta terça-feira (22) e seria o único momento de aproximação do casal imperial com os súditos japoneses, foi adiado para 10 de novembro.

A decisão foi tomada em conjunto pela casa imperial e pelo governo japonês devido aos estragos causados pela passagem na semana retrasada do tufão Hagibis, que deixou 74 mortos.

A iniciativa foi tanto em respeito às vítimas da tragédia como para garantir a segurança de Naruhito e de Masako, já que a capital japonesa enfrentou uma tarde chuvosa.

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