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Veneno e viagens promíscuas

Protocolei quarta-feira, 18 de julho, junto com o deputado Patrus Ananias (PT-MG), representação na Procuradoria Geral da República para que sejam apurados prováveis conflitos de interesses envolvendo o governo federal e as multinacionais Basf, Syngenta, Nufarm e Bayer. A Ação dirigida à PGR tem como base reportagem do site Intercept Brasil, publicada em 13 de julho de 2018, que revelou a viagem de nove servidores do Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama aos Estados Unidos, onde participaram de evento ocorrido em março passado, organizado por uma consultoria que trabalha para grandes fabricantes de pesticidas.

Da forma como foram viabilizadas e concretizadas, estas viagens podem ter violado normas éticas na administração pública e, possivelmente, causado prejuízos ao erário. Coincidência estranha, ou não por acaso, segundo a matéria, os nove servidores participam dos processos que definem se um pesticida pode ou não ser liberado para uso no país, justamente em benefício das empresas que eles visitaram nos EUA. Fica evidente, portanto, o conflito de interesse e a ilegalidade da participação dos servidores no evento organizado pelo lobby das multinacionais.

Uma clara relação promíscua entre gestores e servidores do governo Temer com as multinacionais do setor dos agrotóxicos. Mais uma evidência que comprova nossas denúncias de que as mudanças que querem fazer para flexibilizar o uso dos pesticidas, é de interesse apenas dessas empresas, em detrimento da produção de alimentos saudáveis e saúde do povo brasileiro. O “turismo” desses servidores aos EUA se dá no momento em que dois grandes interesses dessas empresas estão em jogo no Brasil. Falo da tentativa de aprovação da nova legislação dos agrotóxicos – PL do Veneno – e busca de autorização para comercializar novos pesticidas, em tramitação no Ministério da Agricultura, ANVISA e IBAMA.

E assim foi. Voltaram de viagem e, pouco depois, seis novos pesticidas foram colocados à venda no país. Representação feita, pedido de apuração encaminhado, aguardamos um parecer da PGR com a certeza de que tem muita coisa para esclarecer.

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