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Redução de agrotóxicos

Retorno ao tema tratado neste espaço há duas semanas. Desta vez, para dar uma boa notícia: o relatório de minha autoria para o Projeto de Lei 6670/2016 que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA), foi aprovado, na terça-feira (4/12) pela Comissão Especial instalada para analisar a proposta (de iniciativa da sociedade civil) que visa a substituição gradual do atual modelo por alternativas livres de venenos.

Não foi fácil chegar até aqui. Enfrentamos inúmeras e sucessivas manobras de representantes dos setores comprometidos com as corporações produtoras dos agrotóxicos, mas finalmente a proposta da PNaRA está pronta para ser votada pelo Plenário da Casa.

Nosso atual sistema de produção é totalmente dependente dos insumos químicos, e sabemos que a simples aprovação de um Projeto que altere esse modo de produção não irá mudar tudo de uma hora para outra. O que se deseja, é uma transição gradativa, calcada no estímulo e disseminação de técnicas como o manejo integrado de pragas com o emprego de distintos instrumentos de controle, como agentes biológicos (predadores, fungos ou bactérias), plantas resistentes a pragas ou vegetais que servem de iscas para proteger o cultivo.

Conforme levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla em inglês), que lidera no mundo os esforços para a erradicação da fome, desde 2016, o Brasil é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Está atrás da China e dos Estados Unidos, apenas. A FAO vem alertando para os riscos do uso dessas substâncias, seja pelo manuseio, ingestão dos alimentos contaminados, ou poluição do solo e das águas. A organização recomenda a eliminação gradual desses produtos para assegurar a sustentabilidade da produção agropecuária que, para dar conta de alimentar a população mundial, tem o desafio de crescer 60% até o ano de 2050. Nas últimas quatro décadas o Brasil construiu um setor agropecuário que é reconhecido em todo o planeta. Isso se deu graças a muito trabalho e pesados investimentos em pesquisas, sobretudo, por meio da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), companhia pública voltada ao desenvolvimento do setor.

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