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Prejuízos garantidos

No final de fevereiro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (que considerou Chico Mendes irrelevante), exonerou 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Entre a meia dúzia que foi poupada, no entanto, estava Igor Miranda da Silva, do Rio de Janeiro, responsável por anular multa expedida à Jair Bolsonaro por pesca ilegal.

Não é apenas a troca de favores ou o conflito de interesses públicos e privados que chamam atenção neste caso, mas a falta de conhecimento que Salles possui sobre a pasta que ocupa e o desmonte da autarquia federal. Na última semana, o ministro voltou a atacar o Ibama, carregando o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) de carona ao impor sigilo para todos servidores dos institutos.

Em 2018, após o resultado das urnas, Bolsonaro classificou o Ibama como "indústria de multas" e afirmou que não iria admitir a continuidade das autuações. Em outras palavras, o presidente "liberou geral" a prática de crimes ambientais. Os atos do Bolsonaro e seu ministro revelam o pouco caso com o meio-ambiente e as políticas de proteção ambiental, bem como sua inclinação para agradar desmatadores e violadores de leis.

Gostaria de lembrar ao senhor presidente da República, que multas são aplicadas em decorrência de infrações previamente cometidas, ou seja, se quer acabar com as multas, é só não cometer atos infracionais.

Vale destacar ainda que não foram poucas as tentativas do presidente de fundir o ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura, num esforço tosco de agradar ruralistas. A medida não prosperou, mas ainda assim Bolsonaro liberou dezenas de agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo.

A China já anunciou que deixará de comprar nossa soja e possivelmente a União Europeia adotará restrições a outros produtos agrícolas brasileiros. Com isso o corporativismo, a incapacidade e a desinformação do presidente já garantiram prejuízos ao meio-ambiente, à saúde, à agricultura e à economia.

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