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Olhos e ouvidos na Amazônia

De 06 a 27 de outubro, o Vaticano receberá o Sínodo da Amazônia, um encontro de bispos Pan-Amazônicos convocado pelo Papa Francisco ainda em 2017. O processo de escuta caracterizado pelo Sínodo teve início no ano seguinte à convocação, em 2018, com a visita do pontífice a Puerto Maldonado, na Amazônia peruana.

Ainda que a Igreja Católica tenha presença humanitária notável na região há pelo menos 400 anos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem se colocado publicamente contrário à realização do processo, sentimento compartilhado pelo assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Eduardo Villas Boas. Oficialmente, Bolsonaro e Vilas Boas afirmam temer pela soberania nacional, justificativa difícil de engolir. A presença secular da Igreja na região atesta contra o discurso dos mandatários brasileiros, que esconde os verdadeiros motivos de suas inquietações. Não é segredo que boa parte dos ativistas e lideranças de movimentos sociais, eu inclusive, tenham origem nas pastorais da Igreja. Exemplos não faltam: os primeiros que me vem à cabeça são Chico Mendes, Dorothy Stang e o Padre Amaro Lopes.

A maior ameaça para os governistas, no entanto, é que o Sínodo mantém em evidência a ausência de políticas públicas do governo para a preservação da Amazônia, já expostas ao mundo com o recorde de queimadas durante o mês de agosto. Ainda pior, confirma a postura perversa de Bolsonaro em privilegiar um punhado de ruralistas e mineradores em detrimento dos povos tradicionais e da preservação ambiental, algumas das maiores riquezas do povo brasileiro.

Mesmo o aumento na presença de igrejas evangélicas, especialmente neopentecostais na região e a constante redução da influência católica entre os amazônicos não foram o suficiente para acalmar os ânimos do bolsonarismo. Eleitores declarados do militar reformado, pastores e fiéis não se identificam com a pauta escatológica e devastadora do presidente, minando boa parte de seu apoio na região. Com isso a igreja, católica ou evangélica, reafirma seu compromisso na defesade valores cristãos.

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De 06 a 27 de outubro, o Vaticano receberá o Sínodo da Amazônia, um encontro de bispos Pan-Amazônicos convocado pelo Papa Francisco ainda em 2017. O processo de escuta caracterizado pelo Sínodo teve início no ano seguinte à convocação, em 2018, com a visita do pontífice a Puerto Maldonado, na Amazônia peruana.

Ainda que a Igreja Católica tenha presença humanitária notável na região há pelo menos 400 anos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem se colocado publicamente contrário à realização do processo, sentimento compartilhado pelo assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Eduardo Villas Boas. Oficialmente, Bolsonaro e Vilas Boas afirmam temer pela soberania nacional, justificativa difícil de engolir. A presença secular da Igreja na região atesta contra o discurso dos mandatários brasileiros, que esconde os verdadeiros motivos de suas inquietações. Não é segredo que boa parte dos ativistas e lideranças de movimentos sociais, eu inclusive, tenham origem nas pastorais da Igreja. Exemplos não faltam: os primeiros que me vem à cabeça são Chico Mendes, Dorothy Stang e o Padre Amaro Lopes.

A maior ameaça para os governistas, no entanto, é que o Sínodo mantém em evidência a ausência de políticas públicas do governo para a preservação da Amazônia, já expostas ao mundo com o recorde de queimadas durante o mês de agosto. Ainda pior, confirma a postura perversa de Bolsonaro em privilegiar um punhado de ruralistas e mineradores em detrimento dos povos tradicionais e da preservação ambiental, algumas das maiores riquezas do povo brasileiro.

Mesmo o aumento na presença de igrejas evangélicas, especialmente neopentecostais na região e a constante redução da influência católica entre os amazônicos não foram o suficiente para acalmar os ânimos do bolsonarismo. Eleitores declarados do militar reformado, pastores e fiéis não se identificam com a pauta escatológica e devastadora do presidente, minando boa parte de seu apoio na região. Com isso a igreja, católica ou evangélica, reafirma seu compromisso na defesade valores cristãos.

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