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Rio enfrenta sua pior tempestade

Acidade do Rio de Janeiro passa por momentos difíceis que vão além da maior chuva dos últimos 22 anos, que deixou 10 mortos, do músico que o Exército matou ao atirar mais de 80 vezes contra o carro em que ele estava com a família e do desabamento dos prédios em Muzema, que matou três
pessoas.

A tempestade que os cariocas enfrentam é devastadora e faz todos os dias muitas vítimas. Mas que devasta o Rio de Janeiro é a ausência total do Estado.

E não a adianta culpar São Pedro. Sim, foi a maior chuva dos últimos 20 anos, mas nem a prefeitura e nem o governo estadual fizeram a sua parte na prevenção dessa tragédia.

Uma pesquisa mostrou que o gasto com prevenção a enchentes no Rio caiu 71% na gestão do prefeito Marcelo Crivella.

Não tem o que dizer, é tragédia anunciada. Assim como a queda dos prédios na zona oeste; a milícia tomando conta dos espaços e dos serviços impunemente; o grupo que domina a região e vende irregularmente lotes para construir prédios; e a fiscalização que deveria impedir esse crime e não consegue chegar no local porque é ameaçada.

Assim os prédios foram construídos e os apartamentos comercializados sem nenhum tipo de certificação e aval de segurança de nenhum órgão público. Sem o aval, mas não sem o conhecimento, já que investigações comprovam que políticos fazem parte ou apoiam as milícias. Em novembro do ano passado, a Justiça ordenou que os imóveis fossem desocupados, mas as pessoas voltaram ao local. Somam-se a essa situação o crescimento da população, a busca por moradias com menor custo, o desemprego e a crise econômica que assola o País. Eis o cenário do
desastre.

Como disse o próprio Crivella, "o Rio é esculhambação completa". É triste que o administrador da cidade faça esse tipo de afirmação, mas não tem como discordar. Esculhambação essa que permite que um homem seja morto ao passear com sua família por ser confundido com um bandido e ter o carro alvejado por soldados do Exército.

Homens e mulheres de bem estão perdendo suas vidas e tendo seus direitos cerceados. Aqueles que são eleitos para garantir o ir e vir, a habitação, a segurança e a moradia estão na verdade preocupados em garantir um futuro próspero para si e para os seus e, assim, a população do Rio de Janeiro vai sofrendo à míngua.

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