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Governo de SP atualizou número de casos e mortes pelo novo coronavírus
Governo de SP atualizou número de casos e mortes pelo novo coronavírus
Foto: Divulgação/OMS

Recorde na pandemia: São Paulo registra 521 mortes em 24 horas

Pressão sobre leitos de UTI também subiu no Estado e na Grande SP, se aproximando à marca de 90%

O estado de São Paulo voltou a bater nesta sexta-feira o recorde de mortes causadas pela Covid-19 no período de um dia, com o registro de 521 nas últimas 24 horas. Na última terça-feira (9) São Paulo havia registrado 517 vítimas fatais pela doença, o recorde anterior. Com isso, o Estado chegou a 63.531 mortes e 2.179.786 contaminados pela doença desde o início da pandemia.

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Dados sexta-feira (12)

A quantidade de novas mortes não significa que, necessariamente, essas pessoas perderam a vida nas últimas 24 horas, mas que houve o registro do óbito pelas autoridades estaduais.

O território paulista também mostrou avanço na ocupação de UTIs, que já estavam em níveis alarmantes. As taxas de ocupação de UTIs dedicados à Covid-19 nesta sexta é de 87,6% no Estado e de 89,4% na Grande São Paulo. As cinco cidades paulistas com mais casos da doença em números absolutos neste momento são São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, São José dos Campos e São Bernardo do Campo.

Fase emergencial

O governo de São Paulo anunciou na tarde de quinta-feira (11) um aumento de restrições sem precedente em São Paulo, para conter o avanço do coronavírus no Estado, batizado como fase emergencial. Segundo o governador João Doria (PSDB) e membros do comitê de contingência ao novo coronavírus, entre 15 e 30 de março passam a ser proibidos cultos religiosos coletivos, atividades esportivas coletivas (como o Campeonato Paulista) e outros setores da economia, como lojas de material de construção.

Além disso, o toque de recolher em todo o Estado foi ampliado das 20h às 5h, e também haverá escalonamento na entrada de trabalhadores nas empresas para minimizar aglomerações no transporte público. As escolas só atenderão para fornecer alimentos aos alunos. Não será permitido o acesso a parques e praias paulistas.

“Não é fácil tomar essa decisão, é uma decisão impopular, difícil, dura. Nenhum governante gosta de parar atividades econômicas de seu estado, eu, principalmente. Entendo o sofrimento de todos. É difícil não poder sair para trabalhar, não poder sair para batalhar pelo sustento da sua família”, disse o governador.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, 53 municípios paulistas estão com 100% dos leitos ocupados, e a pandemia está crescendo de forma assustadora. Na segunda-feira, por exemplo, segundo ele, eram 32 municípios com lotação total de leitos de UTI. “É a velocidade da pandemia no Estado que compromete a assistência à vida”, disse.

Ele também afirmou que a segunda onda da pandemia tem características diferentes à vivida antes. “Todos temos que ter a conscientização que o que está acontecendo hoje é uma pandemia diferente daquela que nós víamos no ano passado".

Segundo o secretário, a diferença principal é que agora cerca de 50% das ocupações de UTIs são de pessoas com menos de 50 anos, e muitas por volta de 30 anos. "Mais jovens estão sendo comprometidos".

No início da coletiva, o Governo de São Paulo mostrou um vídeo com vários casos de UTIs voltadas à Covid-19 lotadas em todo o Estado. Na sequência, Doria afirmou que os hospitais paulistas estão quase chegando ao limite máximo de ocupação. “Essa nova cepa do vírus é muito agressiva, é muito perigosa, e precisamos adotar medidas ainda mais restritivas no estado de São Paulo para conter a aceleração das mortes”, disse ele.

Segundo o tucano, é um erro dizer que basta abrir mais leitos de UTI para minimizar o problema. “Para aqueles que dizem que é só abrir novos leitos de UTI, eu esclareço: não é. Tínhamos 3,5 leitos de UTI, agora temos 9.200, mas não temos profissionais de saúde suficientes para atender tantos leitos”, e disse que o governo está fazendo tudo o que está ao alcance para minimizar os efeitos da pandemia.

As mudanças

De acordo com o anúncio do governo, a fase emergencial determina que as atividades que passarão a ter restrições completas entre 15 e 30 de março são lojas de materiais de construção, celebrações religiosas coletivas e atividades esportivas coletivas. Atendimento religioso individual permanece liberado.

As escolas também param, e haverá atendimento para alimentação para alunos em vulnerabilidade social. O teletrabalho vai passar a ser obrigatório para atividades administrativas não essenciais. Não será permitida a entrega de alimentos e produtos ao cliente em estabelecimentos comerciais.

Além disso, está proibido o uso de praias e parques do Estado. Haverá também recomendação de escalonamento do horário de entrada no trabalho, para evitar aglomerações no transporte público. A recomendação de novos horários de entrada dos trabalhadores nas empresas é:

5h-7h: trabalhadores da indústria
7h-9h: trabalhadores de serviços
9h-11h: trabalhadores do comércio

Por fim, o toque de recolher foi ampliado, e passa a valer das 20h às 5h em todo o estado de São Paulo a partir do dia 15 de março.

“Nesse período [desde o início da pandemia até hoje] acertamos em muitas coisas, e certamente erramos em outras. Mas tudo é muito novo e muito difícil. Mas, garanto: estamos fazendo o que está ao nosso alcance”, disse o governador;

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