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Ainda não se sabe muito a respeito do causador da Covid-19
Ainda não se sabe muito a respeito do causador da Covid-19
Foto: Martin Sanchez/Unsplash

É possível ser infectado duas vezes pelo coronavírus?

Há registros de pessoas que podem ter se contaminado pelo causador da Covid-19 duas vezes; fenômeno ainda está sendo estudado pela ciência

Entre as muitas dúvidas e receios que o coronavírus causa na população, uma delas vem se destacando ultimamente: uma vez que alguém fica doente e se cura, é possível ficar doente novamente?

A pergunta faz sentido até porque temos o exemplo da gripe, que pode acometer as pessoas várias vezes ao longo da vida. Mas ainda não se sabe muito a respeito do causador da Covid-19. “Os pesquisadores trabalham com dois cenários diferentes. O primeiro é que o vírus passe por mutações com frequência, o que faz que o paciente possa ser contaminado novamente”, explica o imunologista Marcello Bossois. O organismo produz anticorpos para combater a primeira infecção, mas eles podem não ser adequados e suficientes para proteger o corpo de uma segunda contaminação.

De forma geral, os anticorpos não duram para sempre no corpo humano: depende do tipo de doença e do sistema imunológico. Mas ainda não se sabe como funcionam e por quanto tempo duram os que foram criados para combater o coronavírus.

Já o segundo cenário estudado pelos pesquisadores é sobre a permanência do vírus no corpo. “Uma hipótese levantada pelos cientistas é que o vírus, em alguns casos, possa ficar em estado de latência no corpo. O paciente melhora seu quadro clínico e fica sem sintomas, mas ele não fica curado. É mais ou menos o que acontece com o vírus do herpes, por exemplo. Mas isso ainda está sendo estudado e não há um consenso entre os cientistas”, conta. É como se ele ficasse em estado de hibernação, e de tempos em tempos pudesse voltar à tona.

O que já se sabe é que o coronavírus passou por mutações desde quando foi descoberto, no final de 2019. “O padrão do vírus da China é diferente do que apareceu na Itália, que também é diferente dos Estados Unidos e do Brasil. Essas mutações podem acontecer por questões climáticas, étnicas, e de higiene”.

A linha de frente para combater o vírus não para: medicamentos estão sendo estudados para ajudar no combate à Covid-19, e diversos grupos de cientistas desenvolvem vacinas. Mas são processos que levam um certo tempo para ser concluídos – e, no caso da vacina, há um agravante. “Elas podem não ser totalmente eficazes, porque os vírus sofrem mutações ao longo do tempo”.

Um tipo de tratamento pode fazer a diferença no combate à pandemia. Bossois faz parte de um grupo de pesquisadores liderado pelo professor Jacques Tremblay, da Universidade Laval, no Canadá, que estuda terapia genética. Segundo ele, a terapia pode ser utilizada tanto para o diagnóstico quanto o tratamento de doenças virais além da Covid-19, como o ebola, dengue, zika e chikungunya, até para o câncer.

Enquanto isso, para evitar que o coronavírus se espalhe ainda mais, as recomendações da Organização Mundial da Saúde continuam: lavar as mãos com frequência, evitar multidões, cuidar da higiene pessoal e sair de casa somente se necessário. Isso já dá aquela força para o sistema imunológico e evita não somente a Covid-19, mas outras doenças transmissíveis.

Terapia pessoal e intransferível

A terapia genética vem sendo estudada para combater não somente o coronavírus, mas outras doenças como a tuberculose, ebola, dengue, zika, chikungunya e até o câncer. "É possível identificar o tipo de vírus que a pessoa tem, até se ele for mutante, e o sistema consegue descobrir poucas horas depois do contágio. O resultado sai em uma hora. Assim, é possível isolar quem está doente", afirma o imunologista Marcello Bossois. O exame é feito com uma gota de sangue, que é depositada em uma fita especial, com reagentes que detectam a presença dos agentes patogênicos. "Não precisa de pessoal nem aparelhos especializados. Além disso, o custo de produção das fitas-teste é muito baixo". Uma vez detectado, anticorpos são desenvolvidos para destruir esse vírus. Essa terapia já está em testes, com bons resultados, para o tratamento do HIV e o ebola.

Metamorfose ambulante

O sistema imunológico cria anticorpos para combater micro-organismos prejudiciais. Eles ficam em circulação no sangue por um tempo e evita que o corpo se contamine novamente pelo mesmo agente – mas os vírus, que passam por mutações frequentes, conseguem enganar essas sentinelas e infectar o corpo novamente. O que ainda não se sabe é se o coronavírus pode infectar uma pessoa mais de uma vez, e se os anticorpos produzidos na primeira infecção podem proteger o paciente novamente. Veja como funciona esse mecanismo no caso do vírus da gripe, cujo código genético muda todos os anos:

1. Vírus entra no corpo, que identifi ca o agente patogênico;
2. O corpo produz anticorpos, que destroem o vírus;
3. Outro vírus semelhante infecta o organismo, mas os anticorpos existentes não conseguem combatê-lo;
4. O corpo produz novos anticorpos para eliminar este vírus.

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