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Embora em alguns casos a cloroquina seja eficaz, ainda são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia para curar o coronavírus
Embora em alguns casos a cloroquina seja eficaz, ainda são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia para curar o coronavírus
Foto: Hal Gatewood/Unsplash

Cloroquina é eficaz contra Covid-19?

Usado há muitos anos contra a malária e o lúpus, o medicamento surgiu como alternativa contra o coronavírus, mas ainda não há um consenso sobre seu uso

O coronavírus é um inimigo sorrateiro, desconhecido e imprevisível. Com sintomas que variam de tosse a falta de ar e até a morte, ele tem causado pânico na população e na medicina, que busca um medicamento que possa combatê-lo de frente e que seja eficaz. Uma promessa que ainda é cercada de polêmicas é a cloroquina e a hidroxicloroquina.

“A cloroquina vem da casca de uma árvore, usada pelos índios há muitos anos contra a malária”, conta o clínico e infectologista Paulo Olzon, da Unifesp. A malária é causada por um parasita transmitido pelo mosquito Anopheles, muito comum nas regiões tropicais do Brasil. Uma vez no sangue, o parasita destrói os glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo organismo. Além do tratamento de malária e lúpus, uma doença autoimune, o medicamento é utilizado para o tratamento de doenças reumatológicas e artrite.

“Um estudo recente mostrou que o coronavírus tem uma forma de ação muito parecida com o parasita da malária: ele destrói os glóbulos vermelhos. O resultado é que o pulmão fica repleto de líquido, o que causa a falta de ar”, explica. “A cloroquina não deixa o coronavírus destruir os glóbulos”.

Mas a cloroquina possui efeitos colaterais sérios, de acordo com o infectologista Alexandre Cunha, do Grupo Sabin. “O uso de hidroxicloroquina, com outros remédios, pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e agravar quadro de pacientes. Há também estudos com outros vírus in vitro, nos quais houve inibição da replicação viral, mas quando testadas in vivo houve aumento da replicação e piora da doença”.

A cloroquina e a hidroxicloroquina vêm sendo estudadas em várias instituições no mundo e no Brasil, combinadas com outras substâncias, para combater o coronavírus – mas, segundo Cunha, os resultados ainda não são considerados satisfatórios. “Hoje sabemos que mais de 99% dos casos no Brasil têm boa evolução sem estas medicações. Ou seja, submeter pessoas ao uso de uma droga que pode proporcionar uma série de efeitos colaterais não é uma opção razoável”.

Ele também adverte para o uso indiscriminado desses medicamentos. Vale lembrar que, assim que ele foi citado como uma provável cura para a Covid-19, houve uma corrida às farmácias e eles se esgotaram em questão de dias. Pacientes que já usam o medicamento de forma contínua para artrite, malária e lúpus tiveram muita dificuldade para continuar o tratamento.

“O principal efeito colateral dessas medicações é a arritmia cardíaca, o que pode acontecer no caso de pacientes com o novo coronavírus. Estamos lidando com pacientes que já estão com os pulmões inflamados e essa sobrecarga de medicamentos pode piorar o quadro pulmonar”, adverte Cunha. “É preciso atenção ao prescrever um medicamento sem nenhuma comprovação científica, só pela sensação de que está sendo feito algo. Infelizmente, até o momento, a Covid-19 não tem tratamento específico, fora as medidas de suporte. Enquanto isso, o melhor que podemos fazer é não expor os pacientes a riscos desnecessários”, completa.

De olho nos estudos

Em Manaus, no Amazonas, um estudo sobre os efeitos da cloroquina em 81 pacientes com coronavírus precisou ser interrompido depois que eles apresentaram um ritmo cardíaco anormal, com risco de morte. O grupo de pacientes foi dividido em dois: um deles tomava 450 mg duas vezes ao dia, e o outro, 600 mg. Os problemas de saúde foram detectados entre os que tomavam a dosagem mais alta, e seis dias depois do início do estudo, 11 pacientes haviam morrido - o que levou os cientistas a interromperem a pesquisa.

Estudo interrompido

A cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas há décadas contra a malária, uma doença muito comum nas regiões tropicais do mundo, e que causa febre, anemia, calafrios e dores nas articulações. Os cientistas descobriram que a forma de atuação do coronavírus é muito semelhante ao parasita que causa a malária – daí a associação do uso da cloroquina para a cura da Covid-19. Mas boa parte da comunidade médica é resistente ao uso desse medicamento, por causa da gravidade dos efeitos colaterais. Veja quais são:

• Arritmias cardíacas (batimentos anormais do coração);
• Parada cardíaca;
• Ataques do coração;
• Morte – em altas doses.

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Embora em alguns casos a cloroquina seja eficaz, ainda são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia para curar o coronavírus
Embora em alguns casos a cloroquina seja eficaz, ainda são necessários mais estudos para confirmar sua eficácia para curar o coronavírus
Foto: Hal Gatewood/Unsplash

Cloroquina é eficaz contra Covid-19?

Usado há muitos anos contra a malária e o lúpus, o medicamento surgiu como alternativa contra o coronavírus, mas ainda não há um consenso sobre seu uso

O coronavírus é um inimigo sorrateiro, desconhecido e imprevisível. Com sintomas que variam de tosse a falta de ar e até a morte, ele tem causado pânico na população e na medicina, que busca um medicamento que possa combatê-lo de frente e que seja eficaz. Uma promessa que ainda é cercada de polêmicas é a cloroquina e a hidroxicloroquina.

“A cloroquina vem da casca de uma árvore, usada pelos índios há muitos anos contra a malária”, conta o clínico e infectologista Paulo Olzon, da Unifesp. A malária é causada por um parasita transmitido pelo mosquito Anopheles, muito comum nas regiões tropicais do Brasil. Uma vez no sangue, o parasita destrói os glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo organismo. Além do tratamento de malária e lúpus, uma doença autoimune, o medicamento é utilizado para o tratamento de doenças reumatológicas e artrite.

“Um estudo recente mostrou que o coronavírus tem uma forma de ação muito parecida com o parasita da malária: ele destrói os glóbulos vermelhos. O resultado é que o pulmão fica repleto de líquido, o que causa a falta de ar”, explica. “A cloroquina não deixa o coronavírus destruir os glóbulos”.

Mas a cloroquina possui efeitos colaterais sérios, de acordo com o infectologista Alexandre Cunha, do Grupo Sabin. “O uso de hidroxicloroquina, com outros remédios, pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e agravar quadro de pacientes. Há também estudos com outros vírus in vitro, nos quais houve inibição da replicação viral, mas quando testadas in vivo houve aumento da replicação e piora da doença”.

A cloroquina e a hidroxicloroquina vêm sendo estudadas em várias instituições no mundo e no Brasil, combinadas com outras substâncias, para combater o coronavírus – mas, segundo Cunha, os resultados ainda não são considerados satisfatórios. “Hoje sabemos que mais de 99% dos casos no Brasil têm boa evolução sem estas medicações. Ou seja, submeter pessoas ao uso de uma droga que pode proporcionar uma série de efeitos colaterais não é uma opção razoável”.

Ele também adverte para o uso indiscriminado desses medicamentos. Vale lembrar que, assim que ele foi citado como uma provável cura para a Covid-19, houve uma corrida às farmácias e eles se esgotaram em questão de dias. Pacientes que já usam o medicamento de forma contínua para artrite, malária e lúpus tiveram muita dificuldade para continuar o tratamento.

“O principal efeito colateral dessas medicações é a arritmia cardíaca, o que pode acontecer no caso de pacientes com o novo coronavírus. Estamos lidando com pacientes que já estão com os pulmões inflamados e essa sobrecarga de medicamentos pode piorar o quadro pulmonar”, adverte Cunha. “É preciso atenção ao prescrever um medicamento sem nenhuma comprovação científica, só pela sensação de que está sendo feito algo. Infelizmente, até o momento, a Covid-19 não tem tratamento específico, fora as medidas de suporte. Enquanto isso, o melhor que podemos fazer é não expor os pacientes a riscos desnecessários”, completa.

De olho nos estudos

Em Manaus, no Amazonas, um estudo sobre os efeitos da cloroquina em 81 pacientes com coronavírus precisou ser interrompido depois que eles apresentaram um ritmo cardíaco anormal, com risco de morte. O grupo de pacientes foi dividido em dois: um deles tomava 450 mg duas vezes ao dia, e o outro, 600 mg. Os problemas de saúde foram detectados entre os que tomavam a dosagem mais alta, e seis dias depois do início do estudo, 11 pacientes haviam morrido - o que levou os cientistas a interromperem a pesquisa.

Estudo interrompido

A cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas há décadas contra a malária, uma doença muito comum nas regiões tropicais do mundo, e que causa febre, anemia, calafrios e dores nas articulações. Os cientistas descobriram que a forma de atuação do coronavírus é muito semelhante ao parasita que causa a malária – daí a associação do uso da cloroquina para a cura da Covid-19. Mas boa parte da comunidade médica é resistente ao uso desse medicamento, por causa da gravidade dos efeitos colaterais. Veja quais são:

• Arritmias cardíacas (batimentos anormais do coração);
• Parada cardíaca;
• Ataques do coração;
• Morte – em altas doses.

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