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Dois são os tipos de procedimento mais comuns feitos no Brasil, a gastroplastia vertical e o by-pass gástrico
Dois são os tipos de procedimento mais comuns feitos no Brasil, a gastroplastia vertical e o by-pass gástrico
Foto: Peoplecreations/Freepik

Cirurgia bariátrica fica mais eficiente e popular

As técnicas cirúrgicas para redução do estômago ficam mais avançadas, menos complicadas e mais seguras; mas ela tem indicações muito específicas

A medicina vem evoluindo ao longo dos anos em várias áreas, e com a cirurgia bariátrica não seria diferente. O procedimento consiste em reduzir o tamanho do estômago, e hoje é realizado com mais segurança e menos riscos, com o objetivo de fazer o paciente perder bastante peso – especialmente quem sofre de obesidade de graus mais graves.

E, cada vez mais, a cirurgia vem se tornando mais popular no Brasil: são quase 70 mil realizadas por ano, de acordo com o último levantamento disponível (de 2018) feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (SBCBM). Mas os motivos dessa popularidade vão além da evolução da tecnologia: é por necessidade.

“A obesidade e diabetes são doenças dos dias de hoje, que vêm aumentando nos últimos anos. Especialmente no caso da obesidade, as alternativas de tratamento conservador não dão grandes resultados, principalmente nos casos mais graves, quando a cirurgia vem se demonstrando eficaz e segura”, afirma o médico Marcos Leão Villas Boas, presidente da SBCBM.

Mas o procedimento não vale para todos. Ou seja: aquela dobrinha na barriga ou um aumento discreto no peso não são critérios de indicação para a cirurgia. Um desses critérios é o cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea), quando se divide o peso pela altura ao quadrado. Para facilitar: divida seu peso pela sua altura, e depois, divida pela altura novamente. Valores até 25 indicam peso normal, de 25 a 30, sobrepeso; 30 a 35, obesidade grau leve; 35 a 40, moderado, e acima de 40, é a chamada obesidade mórbida.

“Antes de optar pela cirurgia, esgotamos todas as possibilidades de tratamento. Mas, no caso de quem tem um IMC muito elevado, uma pessoa com 160 quilos por exemplo, é desumano eu dizer para ela fazer dieta e exercício físico. Ela não vai perder 60 quilos, a única possibilidade é pela cirurgia bariátrica”, explica Villas Boas. Outro caso de indicação é a presença de doenças como diabetes não controlado ou hipertensão. “Muitas pessoas melhoram muito ou até curam diabetes, hipertensão, apneia do sono e refluxo depois da cirurgia”.

Há vários tipos de cirurgia, mas dois deles são as mais realizadas no Brasil, a gastrectomia vertical e o by-pass gástrico (veja infográfico). A pessoa fica de um a dois dias no hospital e o procedimento dura cerca de uma hora. Já em casa, o paciente deve seguir uma dieta líquida por 15 a 30 dias, depois entram alimentos mais pastosos por mais 15 dias, e no fim, alimentação normal. Em ambos os casos, a perda média de peso chega a 35% em um ano.

Macaque in the trees
Arte: Gazeta de S.Paulo

Mas não é porque o estômago está menor que “liberou geral” para comer o que quiser, visto que o corpo passa a processar os alimentos de forma diferente. “O corpo passa a reagir de maneira exagerada a alguns tipos de alimentos, como o açúcar e a gordura. Por isso, quem fez a cirurgia não se sente bem depois de comer um pouco a mais de sorvete, por exemplo”, explica. Por isso que o acompanhamento nutricional é importante depois da cirurgia. “Já que vai comer bem menos, a pessoa deve escolher melhor os alimentos, ter cuidado com a reposição de algumas vitaminas e mudar os hábitos de vida como um todo”, completa.

Por que engordamos?

O corpo é uma máquina complexa: dizer que engordamos porque comemos mais e nos exercitamos de menos é resumir um processo que vai além disso. Quando comemos, a comida chega no estômago e, de lá, vai ao intestino. Quando a comida chega em um determinado ponto deste órgão, ele produz um hormônio chamado GLP-1, que dá a sensação de saciedade - ele avisa o corpo que é hora de parar de comer. Nos indivíduos obesos, o equilíbrio na ingestão de alimentos e na produção desse hormônio fica prejudicado, o recado de parar de comer demora mais a chegar, come-se e engorda-se cada vez mais, até chegar em um ponto que dietas não são eficazes o suficiente para perder peso, e o organismo passa a apresentar doenças como diabetes e hipertensão.

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