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Sábado, 24 Agosto 2019 00:35

Depressão, o mal do século

O tratamento precoce impede que a doença afete de forma permanente o cérebro e devolve a qualidade de vida ao paciente
 A depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde, já é a principal causa de incapacidade no mundo A depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde, já é a principal causa de incapacidade no mundo
Por Vanessa Zampronho
De São Paulo

Uma doença que evolui de forma arrastada, tem mais de uma causa, os sintomas quase sempre são negligenciados, e o paciente tem muita dificuldade para procurar ajuda médica. A depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde, já é a principal causa de incapacidade no mundo – estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com este mal – que geralmente se manifesta entre a adolescência e os 40 anos de idade. “Mas 40% dos casos aparecem antes dos 20 anos”, airma Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador do departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo.

A depressão é causada por vários fatores. Um deles é o genético. “Estudos mostram que quem tem pacientes de primeiro grau com depressão tem três vezes mais chances de desenvolver a doença”, explica o psiquiatra. Mas não existe um único gene que causa a depressão, e sim vários: cada um deles tem uma participação no conjunto da obra. Ainda assim, se a pessoa tem alguns desses genes, isso não quer dizer que ela vai desenvolver a doença. “Se o gene está ligado, produzindo proteínas, ele causará a depressão. Se ele estiver desligado, não”.

Outra causa tem a ver com a capacidade do cérebro de gerar novos neurônios, mesmo na vida adulta. Essas novas células nascem em uma região especíica chamada hipocampo, e somente nascem se houver uma substância, chamada fator neurotróico derivado do cérebro (BDNF, da sigla em inglês). “Em pessoas com depressão, os níveis de BDNF estão diminuídos”, explica Asevedo. Por conta disso, em pessoas deprimidas, o hipocampo chega a ficar três vezes menor do que em uma pessoa sem a doença. Mas outra área do cérebro, a amídala, responsável pelas emoções negativas como raiva e sofrimento, fica mais ativa.

Tem também as causas ambientais. “Episódios de depressão são precedidos por eventos difíceis de vida, como perda de emprego, separação, luto, ser vítima de violência, que aconteceram nos últimos 12 meses”, conta. Mas isso não significa que qualquer acontecimento negativo pode causar depressão – se a pessoa já tiver alguma predisposição genética para a doença, os episódios servirão como gatilhos. “Mas para o gatilho disparar, a arma tem que estar pronta”.

Os sintomas da depressão não se resumem à tristeza ou falta de vontade de fazer as coisas. Há outros, como sono irregular e falta de memória. Para fechar o diagnóstico, são necessários cinco deles, presentes no paciente por pelo menos duas semanas. “Pessoas que têm esses sinais por duas semanas já apresentam grandes prejuízos na sua vida”, explica Asevedo.

Por isso, assim que os sintomas aparecerem, o ideal é procurar ajuda especializada, para evitar que o cérebro seja afetado pela depressão. “Além de melhorar a qualidade de vida, o tratamento tem um efeito protetor sobre o cérebro, porque a depressão chega a ser tóxica”. Do lado dos familiares, o mais importante é demonstrar apoio ao paciente. “Dizer ‘Estou aqui do seu lado para o que você precisar’ ajuda muito”, explica.

Outro apoio muito importante por parte dos familiares é, uma vez iniciado o tratamento, garantir que o paciente tome os remédios prescritos pelo médico e levá-lo às sessões de terapia – e evitar forçar eventos sociais, como a participação em festas e reuniões de família. “Ela deve ter o direito de não querer fazer essas coisas. Muito em breve, ela vai retomar completamente a vida, mas, nesse período que ela tem sintomas muito intensos, ela precisa desse tempo para se recuperar”, complementa.

Como funciona o tratamento

Segundo o psiquiatra Elson Asevedo, o tratamento tem duas fases. A primeira procura recuperar completamente o paciente, de forma a devolver a qualidade de vida. Depois, passa-se para a fase de manutenção e prevenção. Para isso, medicamentos e terapia podem ser usados em conjunto. O remédio age diretamente no cérebro, enquanto a terapia faz o paciente refletir. “O ganho que a pessoa tem com a terapia é levar esse aprendizado para toda a vida”, explica. Em casos de deprimidos que não respondem ao tratamento, há a eletroconvulsoterapia: uma corrente elétrica é aplicada por meio de eletrodos na cabeça do paciente. Todo o processo é feito com anestesia, e em um ambiente controlado. “É um tratamento que salva vidas, e é feito nos melhores lugares do mundo”, explica.

Previna-se

É possível prevenir-se contra a depressão desde a infância. Veja algumas dicas importantes:

» Alimentação adequada;
» Cuidados maternos desde a infância;
» Ter horários regulares de sono;
» Fazer atividade física;
» Evitar o uso de bebidas alcoólicas, cigarro e drogas ilícitas (em pacientes com depressão, essas substâncias potencializam os sintomas da doença).

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