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Atenção com a postura

A má postura no ambiente de trabalho pode acarretar em dores nas costas; veja o que fazer para evitar o problema Por Vanessa Zampronho De São Paulo

Dor nas costas é assunto sério: a dorsalgia (o nome técnico desse tipo de dor) foi a principal causa de afastamento de trabalhadores, segundo dados de 2017 (os mais recentes disponíveis) da secretaria de Previdência do Ministério da Economia. Naquele ano, foram mais de 83 mil casos registrados.

Em muitos casos de dor nas costas, a principal causa é a má postura no trabalho, especialmente para quem passa boa parte do tempo sentado. O quadro se agrava se o paciente não pratica atividade física regularmente – exercícios fortalecem a musculatura e dão suporte para a coluna.

“Se uma pessoa, que faz exercício todo dia, fica o dia todo em uma postura ruim, isso não causa problema. Mas, se aquela pessoa não faz exercício e fica numa postura inadequada, a chance de ter dor é praticamente 100% em médio ou longo prazo”, explica o ortopedista João Paulo Bergamaschi, especialista em coluna.

A dor é o principal aviso de que algo não vai bem com a coluna. Segundo o ortopedista, a mais comum é a dor na região lombar, seguida pela dor cervical (na região do pescoço) e a torácica (no meio das costas). “A região lombar é onde há a maior sobrecarga, porque sustenta a cabeça, pescoço e o tórax. Mas, nos últimos anos, aumentou de forma significativa as dores cervicais, por conta do uso do celular”.

No médio e longo prazo, a má postura cobra seu preço e os sintomas se agravam. “Os músculos da perna podem encurtar quando a pessoa fica muito tempo sentada com o joelho dobrado, e ela não consegue se abaixar. Além disso, sem tratamento, a coluna pode apresentar um processo de desgaste e até artrose, que normalmente apareceria aos 70 anos de idade, mas acaba surgindo aos 30, 40 anos”, adverte Bergamaschi.

Quando pensamos em uma postura adequada, é importante prestar atenção a alguns detalhes no ambiente de trabalho. “Apoiar a lombar [parte inferior das costas] na cadeira, ter um apoio nos pés, ter seu campo de trabalho e o teclado à sua frente, apoiar os cotovelos e os punhos”, aconselha o especialista, que é professor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Outra dica importante para aliviar a coluna é se levantar de tempos em tempos, para tomar café, ir ao banheiro, ou simplesmente ficar em pé. Isso tira o peso dos discos intervertebrais, que dão mais flexibilidade à coluna. “A posição sentada exerce pressão em algumas estruturas da coluna, especificamente na região dos discos, muito maior do que se estiver em pé”. E não devemos esquecer dos exercícios físicos, que fortalecem não somente a região das costas, mas o corpo todo. “Se você condiciona a musculatura a suportar todo esse peso, a chance de ter dor é muito menor”.

Sendo assim, ao aparecer a dor nas costas, é importante procurar ajuda especializada o quanto antes. “A maior parte dos problemas são de questão mecânica. Se voltar a condicionar a musculatura, a dor desaparece. Além da medicação, o tratamento envolve fisioterapia, RPG [reeducação postural global, que promove o equilíbrio dos músculos responsáveis pela postura], treinamento funcional, aulas de natação ou em academia”, diz.

Dirija com conforto

A dor nas costas não somente afeta motoristas que dirigem por longos períodos, mas também pessoas que fazem viagens longas, mesmo em férias. O Detran-SP desenvolveu a série #PerguntaProDetran para tirar dúvidas dos motoristas, e o primeiro capítulo foi sobre dor nas costas. Veja algumas dicas:

» Sentar com as costas apoiadas no banco, o quadril dobrado em quase 90º e o joelho abaixo do quadril;
» Fazer intervalos de duas em duas horas para alongar o corpo;
» Ajeitar a altura do banco para que o olhar no horizonte fique reto;
» Regular o volante na altura dos ombros.

Colchão e dor nas costas

Um bom colchão é um aliado importante para descansar o corpo e evitar que a dor nas costas fique ainda pior. É importante prestar atenção a alguns detalhes quando se vai escolher um. Colchões de molas devem ser trocados a cada três anos, já os de espuma duram até cinco e variam entre duros e os extramacios, e os de látex se moldam facilmente ao corpo e podem ser trocados a cada dez anos. Importante também trocar os travesseiros a cada dois anos, para evitar a proliferação de ácaros, que causam alergias. Uma vez ao mês, vire o colchão: coloque a parte dos pés onde fica a cabeça, e vice-versa, para evitar que ele adquira a forma do seu corpo.

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