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A dengue chegou antes da hora

O mosquito da dengue aproveitou a falha na prevenção, o calor e a chuva fora de época para se reproduzir e infectar mais pessoas; o resultado é o aumento no número de casos da doença Por Vanessa Zampronho

Isso que o ano nem acabou ainda: o número de casos subiu 600% em todo o Brasil em 2019, segundo o Ministério da Saúde. Até 24 de agosto deste ano, quando foram divulgados os últimos dados, foram confirmados 1.439.471 casos da doença, contra 205.791 de 2018. O estado de São Paulo, segundo a secretaria de Saúde estadual, teve 356.062 registros até 16 de agosto, e em 2018, 15.050.mapa est são paulo numeros ccasos dengue

Vale lembrar que a dengue é uma doença causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, presente em quase todo o território nacional. “A estimativa é que o mosquito esteja em 86% dos municípios brasileiros. O Brasil tem tudo o que ele precisa: temperaturas mais altas, umidade elevada, grandes cidades e aglomerados urbanos”, diz a professora Tamara Nunes de Lima Camara, do departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Uma vez que o indivíduo é infectado pela dengue – que pode ou não apresentar sintomas, ele fica imune à doença pelo resto da vida. Mas há quatro tipos diferentes de vírus – e essa é uma das hipóteses para o aumento no número de casos em algumas regiões do país.

“Vamos imaginar um estado que, em outra epidemia, teve um número muito mais baixo de casos do que os vizinhos. Assim, seus moradores não foram imunizados naturalmente, e ficam mais suscetíveis a ficar doentes na epidemia seguinte. Pode acontecer também de a população do mosquito aumentar de um ano para outro, ou de aparecer um outro tipo de vírus que a população ainda não teve contato”, explica.

Outros fatores que podem ter contribuído para o aumento da dengue nesta época do ano, segundo Camara, são as temperaturas mais altas no inverno, e uma maior quantidade de chuva. Como não se pensa em dengue neste período, a preocupação com a prevenção relaxa e é aí que o mosquito se aproveita. “O problema é o cuidado descontinuado, tanto das pessoas quanto das políticas públicas. Tem que ficar em cima o ano todo, manter a vigilância e as campanhas para conscientizar a população de sua responsabilidade”, adverte.

O poder público também tem sua parcela de culpa. “Há áreas que não possuem coleta de lixo, e as pessoas jogam lixo na rua. Quando os sacos arrebentam e chove, há acúmulo de água em potes, garrafas, e é onde o mosquito se reproduz. Em locais que não têm abastecimento regular de água, os moradores a armazenam em locais muitas vezes descobertos, que também viram criadouros”, avisa Camara.

Como o mosquito tem preferência por ficar dentro de casa, porque está mais perto de humanos e animais, suas fontes de alimentação, é fundamental verificar se há acúmulo de água em potes, garrafas e plantas, por exemplo. O mosquito é um exemplo de sucesso na adaptação a diferentes ambientes. Se há qualquer local que acumule água – até uma tampinha de garrafa serve – a fêmea do mosquito se aloja e deposita seus ovos.

Ele pica mais durante o dia, mas até nisso ele desenvolveu outras habilidades. “Ele é oportunista. As pessoas costumam chegar em casa por volta das 18h, 19h e acendem as luzes. No relógio biológico do mosquito, ele interpreta essa luminosidade como se ainda fosse dia, e ele espera o momento oportuno para atacar“, afirma. Por isso, fique atento: espante esse visitante indesejável antes que ele vire morador e traga problemas para sua família e vizinhos!

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