Espécie de peixe surpreende cientistas por ser formada apenas por fêmeas

Ciência tenta compreender como espécie pôde sobreviver por 100 mil anos sem machos

O fenômeno intriga pesquisadores porque, em teoria, espécies que se clonam deveriam acumular falhas genéticas com o tempo. No entanto, esse peixe parece ter encontrado uma forma inesperada de contornar esse problema.

Agora, um novo estudo publicado na revista Nature ajuda a explicar esse mistério e abre espaço para repensar como a evolução pode funcionar em casos raros.

A chamada molinésia-amazônica desafia previsões clássicas da ciência. Em geral, espécies que se reproduzem sem troca genética tendem a desaparecer rapidamente. Isso acontece porque mutações prejudiciais se acumulam ao longo do tempo.

No entanto, essa espécie rompe o padrão. Sua linhagem existe há mais de 100 mil anos, muito além do que modelos evolutivos costumam prever para organismos que se reproduzem de forma assexuada.

Os pesquisadores acreditam que a espécie surgiu a partir do cruzamento raro entre dois outros tipos de peixe. Desde então, manteve um padrão de reprodução clonal, gerando descendentes praticamente idênticos. Fotos: Pexels (ilustrativas)

Tradicionalmente, a reprodução assexuada é vista como uma desvantagem evolutiva. Sem a mistura de genes, a diversidade genética diminui e a capacidade de adaptação tende a cair ao longo das gerações.

Por isso, muitos cientistas consideravam esse tipo de reprodução um caminho sem saída. A expectativa era de que espécies assim não sobrevivessem por longos períodos.

No entanto, a molinésia-amazônica contradiz essa lógica. Seu DNA permanece saudável, comparável ao de espécies que se reproduzem de forma tradicional, o que levantou uma questão central entre pesquisadores.