Movimento de brasileiros ricos está mudando o preço dos imóveis em Portugal

Aluguel, compra e financiamento ficam mais difíceis para quem vive no país

Em regiões como Cascais, Lisboa e arredores do Porto, imóveis milionários deixaram de ser um nicho isolado. Eles passaram a puxar a régua do mercado, concentrando procura em áreas valorizadas e espalhando uma nova referência de preço para bairros vizinhos e segmentos mais simples.

Segundo estudo da OCDE, Portugal tem um dos maiores estoques de moradia por habitante da organização, mas uma parte relevante das casas está vazia ou funciona como segunda residência. Ao mesmo tempo, a habitação social continua pequena.

Na prática, três forças se somam: construção lenta nas áreas mais demandadas, moradias vazias ou usadas só parte do ano e procura aquecida nas regiões costeiras e urbanas. Quando o topo aceita pagar mais, o restante da cadeia se ajusta.

Para quem atua nesse circuito, Portugal continua competitivo. "Comprar imóveis em Portugal é barato. Em vez de pagar US$ 40 milhões em uma casa nos Estados Unidos, paga-se aqui 5 milhões de euros no mesmo tipo de imóvel, melhor localizado", afirmou Ayres Neto ao UOL.

O país vive uma crise imobiliária marcada pela falta de oferta e pela dificuldade de ampliar o acesso à moradia. Nesse cenário, a alta dos preços de compra e aluguel se tornou ainda mais visível em áreas valorizadas.

O debate sobre imigração está mais em alta do que nunca, com prós e contras adaptados à realidade de cada país. Em Portugal, porém, a discussão ganhou outro elemento: a chegada de super-ricos brasileiros ao mercado imobiliário.

Com isso, o imóvel médio encarece, o aluguel sobe, a entrada para financiamento pesa mais e famílias que antes buscavam apartamento próprio passam a disputar quartos, casas antigas ou bairros cada vez mais distantes.

Entre imigrantes de menor renda, a situação fica ainda mais dura. Organizações de apoio relatam discriminação, exigências abusivas de caução e recusa informal na locação. Com menos acesso a contratos estáveis, muita gente acaba aceitando quartos apertados, apartamentos superlotados e condições precárias. Fotos: Pexels (ilustrativas)