Sequenciamento genético identifica mais de 300 genes que podem explicar expectativa de vida
Um dos animais mais longevos do planeta vive no Brasil e esconde, em suas células, segredos que começam a ser desvendados apenas agora.
Com cerca de 35 centímetros e penas vibrantes, o papagaio-verdadeiro chama atenção não só pelo colorido, mas também pela longevidade acima da média. É comum que ultrapasse 60 anos, e não são raros os casos que chegam aos 80, algo incomum entre aves silvestres.
Outras espécies brasileiras também chamam atenção por características extremas, como a maior ave de rapina do mundo, que é brasileira e as espécies de aves mais queridas no Brasil, o que ajuda pesquisadores a comparar padrões de evolução e comportamento entre diferentes pássaros.
A descoberta sobre o papagaio surge após pesquisadores sequenciarem o genoma completo da ave e encontrarem pistas que ajudam a explicar sua impressionante vitalidade.
A pesquisa liderada pelo biólogo brasileiro Cláudio Vianna de Mello, da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, buscou entender como esse processo acontece.
Para isso, a equipe realizou o sequenciamento completo do genoma da espécie, revelando mais de 300 genes possivelmente ligados ao envelhecimento lento.
Segundo a Revista Fapesp, entre eles, destaca-se o gene Tert, responsável por codificar uma proteína da enzima telomerase. O estudo diz que a telomerase impede que os cromossomos se deteriorem durante a divisão celular, o que pode explicar a manutenção saudável das células ao longo dos anos.
A análise mostrou que, nesses papagaios, a telomerase atua de forma mais ativa, retardando processos que costumam acelerar o envelhecimento em outras aves.
Essa proteção extra reduz danos celulares e pode prolongar o funcionamento de tecidos essenciais. Fotos: Pexels (ilustrativas)