'Lixo do mundo': deserto esconde gigantesco cemitério de roupas usadas
Montanhas de peças abandonadas no Chile revelam lado obscuro do fast fashion
Como o Chile virou destino da roupa usada? O país é o maior importador de peças de segunda mão da América do Sul, recebendo 90% desse mercado na região.
De camisetas a trajes de banho, o cenário surreal esconde um grave problema ambiental.
Num caminho improvisado no deserto do Atacama, no norte do Chile, montanhas de roupas se espalham pelo solo árido.
No Atacama, o problema se agrava: muitas peças contêm poliéster, material que leva 200 anos para se decompor; com o tempo, liberam microplásticos que contaminam o solo e o ar.
Impacto ambiental no deserto - moda rápida já é uma das indústrias mais poluentes do mundo.
Incêndios frequentes nos depósitos ilegais pioram a situação; 'A fumaça pode provocar doenças cardiorrespiratórias', alerta, para a BBC, Gerson Ramos, do governo regional.
Roupas chegam principalmente dos EUA e Europa, muitas delas descartadas por brechós ou doações não aproveitadas.
Apenas em Alto Hospicio, comunidade próxima a Iquique, toneladas de peças são abandonadas todos os anos.
'Fazemos uma seleção dividida em primeira, segunda e terceira categoria', explica, à BBC, Paola Laiseca, da PakChile; enquanto as melhores peças são revendidas, o restante muitas vezes acaba em lixões clandestinos.
Autoridades discutem medidas como a inclusão das roupas usadas em leis de responsabilidade ambiental; mas a falta de fiscalização e orçamento dificulta avanços. Fotos: Pexels (ilustrativas)