O deserto mais seco do mundo guarda segredos que ajudam a explicar Marte

Secura extrema, céu limpo e microrganismos transformaram Atacama em um laboratório natural

Sua aridez extrema, que em algumas áreas atinge níveis quase sem precedentes, gera uma série de curiosidades sobre o Deserto do Atacama, o lugar mais seco do mundo, que despertam grande interesse da ciência e da tecnologia.

Este ambiente singular não apenas desafia a vida como a conhecemos, mas também oferece condições ideais para diversas áreas de pesquisa, da astrobiologia à astronomia.

A Cordilheira dos Andes, com suas grandes altitudes a leste, bloqueia a passagem de umidade vinda da bacia Amazônica, criando uma espécie de sombra de chuva. Com isso, a umidade tem dificuldade para alcançar a faixa desértica do norte chileno.

Neste artigo, exploramos os fatores científicos que criam essa secura implacável e as peculiaridades que fazem do Atacama um laboratório natural único, ajudando a entender por que ele é tão relevante para a ciência moderna.

A oeste, a Corrente de Humboldt, também chamada de corrente do Peru, resfria o ar sobre o Oceano Pacífico. Esse ar mais frio retém pouca umidade e favorece a formação de neblina e nuvens baixas, mas não de chuva significativa no interior do deserto.

Outro fator importante é o anticiclone do Pacífico Sul, um sistema de alta pressão que dificulta a formação de tempestades e reduz a chegada de sistemas capazes de levar precipitação à costa norte do Chile.

A interação entre o ar frio vindo do oceano e o ar mais quente do continente cria uma inversão térmica costeira. Essa condição prende parte da umidade em uma névoa chamada camanchaca, bastante conhecida no litoral do deserto. Em geral, essa umidade não avança muito para o interior, o que mantém as áreas centrais ainda mais secas.

O Deserto do Atacama, localizado principalmente no Chile, é reconhecido globalmente como o deserto não polar mais seco da Terra.

Essa combinação de fatores faz com que algumas áreas do Atacama tenham precipitação próxima de zero. Registros históricos também apontam longos períodos sem chuva em partes do norte chileno. Fotos: Pexels (ilustrativas)