Azeite feito em pequena fábrica de casal do interior de SP é eleito 2x o melhor do mundo

Produzido em SP, azeite Sabiá conquista prêmio internacional

Bob Vieira da Costa e Bia Pereira, responsáveis pela empresa Azeites Sabiá

Bob Vieira da Costa e Bia Pereira, responsáveis pela empresa Azeites Sabiá | Arquivo pessoal/Divulgação

Produzido no interior de São Paulo, o azeite Sabiá foi eleito o melhor do mundo na categoria “médio frutado” pelo respeitado guia internacional Flos Olei 2025. No ano passado, a fábrica já havia sido premiada internacionalmente.

O título coloca o Brasil em posição de destaque no cenário global da olivicultura, graças ao trabalho do casal Bob Vieira da Costa e Bia Pereira, fundadores da marca.

O azeite premiado é o Koroneiki, da marca Azeite Sabiá, produzido em Santo Antônio do Pinhal, SP. Ele superou concorrentes internacionais e foi eleito o melhor do mundo na categoria “médio frutado” pelo Flos Olei 2025.

Com mais de 160 prêmios internacionais ao longo de cinco safras, a marca brasileira vem conquistando espaço e prestígio entre os especialistas do setor.

Ex-ministro virou produtor de azeite

Bob Vieira da Costa, ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação no governo FHC, largou a vida política e, ao lado da esposa, decidiu investir na produção de azeite em 2014.

“Implantamos o pomar em 2014, aqui em Santo Antônio do Pinhal. Primeira produção em 2018, mas foi muito pequena, foi só uma [produção] familiar mesmo. Comercialmente veio a partir de 2020”, contou Bob ao g1.

Desafios do clima brasileiro

Apesar do sucesso, o clima do Brasil impõe desafios para a produção de azeite de alta qualidade. A ausência de frio pode comprometer diretamente a safra, segundo Bob.

“Você tem que ter no mínimo umas 300 horas de frio abaixo de 10, 12 graus durante o ano”, explicou. Sem esse frio, a oliveira não entra em dormência, etapa essencial para gerar frutos.

Colheita exige equipe ampliada

Durante o ano, apenas cinco pessoas cuidam do pomar. Mas, no período da colheita, entre janeiro e março, a equipe chega a 50 pessoas para dar conta da demanda.

“Na época da colheita esse número vai para 50 pessoas. É bem mais desafiador”, afirma Bob. O período é curto e precisa ser aproveitado ao máximo para garantir a qualidade do azeite.

Intensidade define o tipo de azeite

De acordo com Bia Pereira, o azeite é classificado de acordo com a intensidade do aroma e sabor. A categoria “médio frutado” avalia principalmente o aroma do produto.

“Na boca você tem que sentir amargo e picante, todo azeite tem que ter amargo e picante”, explicou. A complexidade é determinada pela quantidade de aromas e sabores percebidos.

Flos Olei é o oscar do azeite

O guia Flos Olei, coordenado pelo renomado crítico Marco Oreggia, é uma das premiações mais respeitadas do setor. Todos os azeites passam por uma rigorosa avaliação sensorial.

“Para quem vive esse mundo dos azeites, ser reconhecido pelo Flos Olei é extraordinário. É uma coroação, um enorme reconhecimento para a gente”, afirmou Bob Vieira da Costa.

Preço reflete qualidade

No site da marca, uma garrafa de 250 ml do azeite Koroneiki é vendida por R$ 129. O preço reflete o cuidado com a produção e a qualidade reconhecida internacionalmente.

Esse valor também ajuda a manter a estrutura de colheita intensiva e os padrões de excelência que levaram o Sabiá ao topo do ranking global.

Produção nacional em ascensão

O caso do azeite Sabiá mostra que o Brasil tem potencial para competir de igual para igual com grandes produtores internacionais de azeite.

Com investimento, dedicação e conhecimento técnico, o país começa a figurar entre os melhores do mundo, quebrando paradigmas e surpreendendo especialistas.