A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, receberá um novo parque de tecnologia em uma área de 200 mil metros quadrados da Coudelaria do Exército, localizada entre Campinas e Valinhos.
Inspirado na ideia de polos internacionais de inovação, o projeto em Campinas pretende criar um ecossistema integrado que concentre empresas, centros de pesquisa, startups e iniciativas governamentais voltadas ao desenvolvimento tecnológico, com ênfase nas áreas de defesa, segurança e vigilância.
A proposta é unir esforços do Exército, governo estadual, prefeitura e setor privado para formar um modelo colaborativo, com características semelhantes a centros reconhecidos mundialmente, como o Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos.
O espaço terá foco principal em empresas voltadas à tecnologia para defesa, segurança e vigilância, mas também prevê a inclusão de negócios de outros setores. O projeto prevê laboratórios, centros de pesquisa, espaços dedicados a startups e áreas para testes.
A iniciativa também contempla ações voltadas à captação de talentos, ao fomento da pesquisa e à integração entre os setores público, privado e acadêmico.
A intenção é intensificar as atividades de ciência e tecnologia e, por meio do parque, atrair empresas para a região.
Caminho para a implantação
A formalização do projeto avançou com a assinatura de um memorando de entendimento na segunda-feira (11/8). O documento estabelece um período de cinco anos para a realização de estudos técnicos, institucionais e jurídicos.
O objetivo desses estudos é identificar interesses comuns entre os envolvidos e definir as formas de participação de cada parte na iniciativa, com base em suas atribuições e prioridades.
O general de Brigada Douglas Corbari Corrêa, do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), informou a criação de um núcleo para conduzir os estudos em conjunto com o governo do estado, a Prefeitura de Campinas e o Exército.
A coordenação será compartilhada entre os três entes. Mesmo na fase inicial, o projeto poderá incluir empresas de outros segmentos, além dos voltados à defesa e segurança. Um edital de chamamento será aberto para empresas interessadas.
Durante o período de estudos, diversos pontos serão definidos:
- Financiamento, infraestrutura, gestão ambiental e construção.
- Captação de talentos e fomento à pesquisa.
- Definição dos ambientes de inovação, marcos regulatórios e processos de certificação.
- Estratégias para início das operações, consolidação do ecossistema e promoção da integração entre os setores público, privado e acadêmico.
O acordo também definirá quais secretarias municipais terão participação no projeto.
Assinantes e expectativas
A assinatura do documento ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, onde participaram o prefeito de Campinas, Dário Saadi; o general Achilles Furlan Neto, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro; e o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan.
O uso de uma área já existente do Exército, com apoio do governo estadual, viabiliza a implantação do parque tecnológico.
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que Campinas foi escolhida por sua estrutura e tradição nas áreas de educação, ciência e tecnologia, o que torna a cidade adequada para a iniciativa. Ele expressou confiança de que o projeto trará impactos significativos ao município.
O general Achilles Furlan Neto lembrou que a concepção de um polo tecnológico do Exército em Campinas é do final da década de 1970. A cidade, segundo ele, representa uma escolha natural, por seu papel como centro de inovação. A parceria com a prefeitura e o governo estadual possibilitou a concretização dessa meta.
Há expectativa de que essa colaboração resulte em novos produtos e contribua para o fortalecimento da soberania brasileira em ciência e tecnologia.
