O repórter cinematográfico André Muzell, que trabalha no Canal Factual RJ, foi agredido brutalmente por traficantes da Vila Aliança, na zona oeste do Rio de Janeiro.
A violência foi cometida durante a cobertura de uma operação policial que deixou seis mortos nesta quinta-feira (4/9) na comunidade. Ele foi socorrido e levado ao Hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e já recebeu alta.
Ao jornal “O Globo”, André contou ter sido surpreendido por 15 criminosos, que o agrediram, sobretudo, no rosto, fazendo com que ele perdesse dois dentes.
“Chegaram a atirar na minha cabeça, mas a arma falhou. Depois falaram que não queriam um novo Tim Lopes. ‘Não queremos outro Tim Lopes’, disseram”, contou André Muzell ao jornal.
Ainda segundo o profissional, além de espancá-lo, os criminosos levaram todos seus pertences.
“Eles quebraram meus dois dentes da frente e meu maxilar. Mal consigo falar direito por conta disso. Foram no mínimo 15 minutos me chutando e socando”, disse Muzell, que agora busca tratamento odontológico.
Violência e prejuízo
Entre os objetos furtados estavam uma câmera, um capacete, um tripé e um celular, totalizando cerca de R$ 40 mil. Sem condições de arcar com a reposição dos equipamentos de trabalho, o repórter lançou uma vaquinha online para arrecadar recursos.
André detalhou que registrava imagens dos ônibus incendiados pelos criminosos usados como barricadas, em Senador Camará, na Estrada do Taquaral, quando foi surpreendido por pelo menos 15 homens armados com fuzis.
A PM contou que policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) deram apoio ao homem ferido e o levaram para a unidade de saúde.
Caso Tim Lopes
A morte do jornalista Tim Lopes chocou o País em 2002.
O gaúcho, na época com 52 anos, desapareceu em 2 de junho enquanto fazia uma reportagem sobre abuso de menores e tráfico de drogas em um baile funk da Vila Cruzeiro, na Penha, na zona norte do Rio de Janeiro.
Depoimentos indicaram que ele foi sequestrado, torturado, julgado e executado por traficantes comandados por Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. Seu corpo foi carbonizado numa fogueira de pneus, e somente em 5 de julho exames de DNA confirmaram sua identidade.
Outro caso
A Polícia Civil do Rio de Janeiro também investiga a execução de Eweline Passos Rodrigues, a Diaba Loira. ‘Não me entrego viva, só saio no caixão’, foi uma das últimas falas dela, aos 28 anos.
