Cartola estreou em navio dos EUA em troca de 3 maços de cigarro

Estrangeiro gravou nomes históricos da música brasileira em troca de valores irrisórios ou cumprimentos

Cartola ao lado de dona Zica; artista só gravaria álbum solo em 1974

Cartola ao lado de dona Zica; artista só gravaria álbum solo em 1974 | Reprodução

Como parte da chamada “política de boa vizinhança” norte-americana, o inglês radicado nos Estados Unidos Leopold Stokowski atracou seu navio no Rio de Janeiro em 1940. A missão era a de registrar “a mais legítima música brasileira”. A história será contada em um documentário a ser lançado em 2025 (leia mais abaixo).

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Para isso, o estrangeiro pediu ao maestro Heitor Villa-Lobos que reunisse artistas de samba, batucada, marchas de rancho, macumba e embolada.

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E assim fez Villa-Lobos. A gravação foi a bordo do próprio navio. Até o capitão foi espiar. Não era para menos: durante oito horas consecutivas passaram pelos microfones Donga, Pixinguinha, Dona Neuma, Zé da Zilda, Zé Espinguela, Jararaca e Ratinho, João da Baiana, além de Cartola, que cantou Quem Me Vê Sorrindo.

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Era a primeira participação do sambista da Mangueira em um LP.

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Estavam prontos os dois álbuns de Native Brazilian Music. O pagamento dos artistas? Apenas cumprimentos, em sua maioria. Cartola chegou a receber um valor, mas que não dava nem para comprar três maços de cigarro.

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Muitos nem sequer ouviram a gravação. O disco seria lançado em 1943, nos Estados Unidos, e só chegou ao Brasil na década de 1980.

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Documentário e regravações

Já Cartola só gravaria o seu primeiro álbum solo em 1974, que conta com canções como Disfarça e Chora, Tive Sim e O Sol Nascerá. Além de Quem Me Vê Sorrindo, que até então só havia ganhado a versão para o público internacional.

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A novidade se tornou uma das referências maiores da cultura nacional, e os lançamentos a seguir ajudaram a sedimentar o seu lugar entre os maiores nomes da música do País.

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Agora, em 2025, vários artistas estão regravando as canções do álbum, como Negadeza, Thalma de Freitas, Áurea Martins, Carlos Malta, Marcelinho Moreira, BNegão. O trabalho faz parte do documentário Native Brazilian Music, que aborda a história do disco

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Com direção de Fabio Maciel e roteiro de Tárik Souza, o filme Native Brazilian Music é produzido pela TV Zero e viabilizado pelo Canal Curta! A obra deve estrear no primeiro semestre de 2026.