Como funcionam as árvores artificiais que purificam o ar em Campos do Jordão

Estruturas artificiais com microalgas capturam CO e produzem oxigênio, unindo inovação, sustentabilidade e turismo na Serra da Mantiqueira

Batizado de Life Tree, o equipamento reúne três tubos de acrílico lado a lado, com água doce e algas marinhas borbulhantes. 

Batizado de Life Tree, o equipamento reúne três tubos de acrílico lado a lado, com água doce e algas marinhas borbulhantes.  | Bruno Passos/Divulgação Parque Capivari

Em meio à Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão abriga um projeto que une natureza e tecnologia de forma inédita. 

A chamada floresta líquida, instalada no Parque Capivari, é a primeira do tipo no Brasil e representa um novo passo na integração entre sustentabilidade e turismo científico.

Formada por cinco árvores artificiais, a iniciativa reproduz o trabalho de até 200 árvores naturais. Cada estrutura atua como um fotobiorreator, capturando gás carbônico (CO) e liberando oxigênio com energia 100% renovável.

Ele destaca que a floresta líquida não substitui a vegetação nativa, mas soma esforços à preservação e pode inspirar outras cidades a unir turismo e impacto ambiental positivo.

Floresta artificial funciona com algas marinhas e água doce

Batizado de Life Tree, o equipamento reúne três tubos de acrílico lado a lado, com água doce e algas marinhas borbulhantes. 

O sistema é coberto por seis placas fotovoltaicas em formato de folhas de palmeira, que captam energia solar e alimentam o funcionamento.

Inspirada no ciclo de vida da Terra, a tecnologia recria o processo natural das microalgas e fitoplânctons — organismos responsáveis por mais de 50% do oxigênio do planeta. 

Sensores integrados monitoram o desempenho em tempo real, enquanto a biomassa resultante pode ser usada para produzir fertilizantes e biocombustíveis.

O desenvolvimento da floresta líquida levou dois anos e foi conduzido pelos engenheiros Antonio Iris Mazza e Wellington Silva Holanda, em um laboratório em São Vicente, no litoral paulista. Cada modelo da árvore tem custo mensal estimado em R$ 15 mil e cinco delas foram instaladas no Parque Capivari em julho de 2025.

Árvores artificiais filtram quase 10 mil litros de ar por hora

Além do apelo visual, o projeto entrega resultados concretos. Cada árvore artificial processa cerca de 160 litros de ar por minuto, o equivalente a quase 10 mil litros por hora. 

Todo o sistema opera de forma silenciosa e automatizada, com controle digital de temperatura, luz e fluxo de ar.

“Cada estrutura é como uma cápsula viva, onde três tipos de microalgas e uma cianobactéria realizam fotossíntese de forma contínua”, explica Rafael Montenegro, diretor-executivo do Parque Capivari. “Elas capturam CO e liberam oxigênio no ar, contribuindo diretamente para o equilíbrio atmosférico.”

Além da função ecológica, a floresta líquida tornou-se uma nova atração turística, somando-se ao teleférico, ao lago e às áreas de convivência do parque — que recebe, segundo a prefeitura, cerca de 4 milhões de visitantes por ano.

Projeto une biotecnologia, turismo e educação ambiental

A proposta integra três eixos principais: ambiental, social e de governança. No campo ambiental, atua na redução do CO e geração de oxigênio; no social, promove educação ambiental e turismo sustentável; e na governança, garante transparência com relatórios públicos e dados auditáveis.

Desde agosto, a floresta líquida também funciona como sala de aula ao ar livre, recebendo estudantes da Serra da Mantiqueira para atividades sobre ciência e inovação. 

“A visibilidade amplia a conscientização ambiental e transforma o turismo em uma plataforma educativa sobre soluções climáticas”, afirma Montenegro.

Com a floresta líquida, Campos do Jordão reafirma seu papel como vitrine ecológica e tecnológica, mostrando que é possível unir natureza, ciência e turismo em benefício do planeta.