10 anos do Acordo de Paris: o tratado que mudou o debate climático, mas ainda patina na prática

Apesar dos avanços, tratado enfrenta desafios para se transformar em ação concreta

Brasil que fazer da COP30 marco de implementação do Acordo de Paris

Brasil que fazer da COP30 marco de implementação do Acordo de Paris | Ella Ivanescu | Unsplash

O Acordo de Paris completa 10 anos em 2025, mesmo ano em que o Brasil sedia pela primeira vez a Conferência das Partes (COP).

Em 2015, o principal tratado de combate à mudança climática marcou a história do evento. A conferência das Nações Unidas de Belém tem a dura missão de dar continuidade ao texto iniciado na França.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na última sexta-feira (7/11) na Cúpula dos Líderes – evento que antecedeu a conferência do clima – que o mundo está distante de atingir os objetivos do Acordo de Paris. 

“Fazer da COP30 a COP da verdade implica reconhecer a ciência e os inegáveis progressos. Significa, entretanto, admitir uma verdade desagradável: o mundo ainda está distante de atingir o objetivo do Acordo de Paris”, afirmou.

Entre eles, manter o aquecimento global bem abaixo de 2 Cº em relação aos níveis pré-industriais.

Com esforço para limitá-los a 1,5 Cº. Apesar de avanços nas negociações, o tratado ainda não se tornou ação concreta.

Acordo de Paris

No dia 13 de dezembro de 2015, durante a COP21, o maior tratado climático (até então) foi firmado. Ao todo, 195 países firmaram o compromisso de se esforçar para limitar o aquecimento global em 1,5 Cº e entregar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). 

Ou seja, a cada cinco anos, os países signatários devem apresentar as suas NDCs voluntariamente. Esse documento nada mais é do que um plano de combate nacional contra a mudança climática. 

O acordo substituiu o Protocolo de Kyoto, que restringia a responsabilidade de combater a mudança climática somente às nações desenvolvidas. O documento apresentado na COP3, em 1997, não teve sucesso. Grandes poluidores como EUA e China não assinaram. 

Quase vinte anos depois, o Acordo de Paris criou um fundo de combate à mudança climática. Por meio dele, os países desenvolvidos devem ajudar os mais pobres a reduzir as suas emissões e se adaptar aos efeitos mais danosos do clima. 

Naquela época, o evento ficou marcado pelo otimismo. Barack Obama, até então presidente dos EUA, afirmou “a melhor chance de salvar o único planeta que temos”. 

Por que ele ainda é o mais importante?

Para o tratado valer como uma lei, 55 dos países responsáveis por 55% das emissões globais de gases do efeito estufa deveriam assiná-lo. 

“Sem esse ato de coragem coletiva [a aprovação do acordo], ainda estaríamos caminhando para um futuro impossível de aquecimento descontrolado, de até 5ºC. Graças a ele, a curva foi para abaixo de 3°C, o que ainda é perigoso, mas prova que a cooperação climática funciona”, afirmou o secretário das Nações Unidas, António Guterres, em discurso na Cúpula dos Líderes da última quinta-feira (6/11). 

Isso porque, até o início da Segunda Revolução Industrial (1850–1945) o maior emissor de CO era o Reino Unido, seguido de França, Alemanha e Bélgica. Porém, em 2022 – último ano de dados disponíveis – o cenário mudou. 

Em 2005, a China virou a maior emissora de CO, seguida dos EUA, Índia, Rússia e Japão. Dentre os 10 maiores emissores do planeta, os norte-americanos possuem os níveis mais altos de emissão por habitante, conforme dados do Climate Watch – PIK (2024). 

Made with Flourish

Segundo o Emissions Gap Report, se todas as NDCs apresentadas até 2024 forem cumpridas à risca – o que não está acontecendo -, a temperatura do planeta ficara em cerca de 2,4 °C em 2100. 

Somente dois países apresentaram metas compatíveis com o Acordo de Paris: Reino Unido e Noruega conforme o Climate Action Tracker, instituto sem fins lucrativos que lidera pesquisas sobre ciência e política climática. 

Em caso de cumprimento do tratado, especialistas estimam que nações do mundo podem sofrer consequências climáticas e econômicas. 

O financiamento 

Um dos principais temas para a implementação concreta do Acordo de Paris é o financiamento. Durante a COP29, em Baku, Azerbaijão, os países resistiram a entrar em consenso sobre uma nova meta para o fundo de combate climática criado em 2015. 

Enquanto os países em desenvolvimento definiram um valor de U$ 1,3 trilhão, o texto final ficou em U$ 300 bilhões, número quatro vezes menor. Isso porque os países mais pobres sofrem mais com as mudanças climáticas do que os principais poluidores. 

As presidências da COP29 e COP30 divulgaram o documento Roteiro Baku-Belém com propostas para mobilizar pelo menos U$ 1,3 trilhão por ano para países em desenvolvimento até 2025. 

Para o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, o roteiro serve como uma contribuição para as nações darem uma escalada em direção ao financiamento climático.

Os compromisso entre as nações desenvolvidas e em desenvolvidas devem estar alinhados para chegar em um financiamento.