Cracolândia desaparece do centro de SP seis meses após ação

Governo de São Paulo atribui dispersão a prisões, monitoramento e internações

Segundo a Prefeitura de São Paulo, número médio diário de pessoas nas cenas de uso caiu de quase 500 em 2023 para nenhum registro na região da Luz desde agosto

Segundo a Prefeitura de São Paulo, número médio diário de pessoas nas cenas de uso caiu de quase 500 em 2023 para nenhum registro na região da Luz desde agosto | SECOM/PMSP

Seis meses após o esvaziamento da cracolândia, realizado em maio deste ano, a região central de São Paulo é outra. 

Segundo o governo estadual, a maioria dos dependentes foi internada para tratamento, como resultado de operações policiais e ações de repressão ao tráfico de drogas.

Dados da Prefeitura de São Paulo indicam que o número médio diário de pessoas nas cenas de uso caiu de quase 500 em 2023 para nenhum registro na região da Luz desde agosto.

O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), disse que o “sumiço” de usuários da cracolândia está relacionado a ações coordenadas pela gestão estadual, que encaminhou voluntariamente milhares de pessoas para tratamento.

Favela do Moinho

O poder público atribui o resultado à combinação de monitoramento por câmeras, prisões de traficantes e remoção de famílias da Favela do Moinho, área considerada base de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O desmantelamento da favela culminou na prisão de líderes do tráfico.

Em agosto deste ano, a polícia prendeu Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, que foi apontado como chefe do tráfico no centro e ligado ao PCC.

De acordo com informações do Estadão, a Promotoria afirma que a comunidade era usada para armazenar e distribuir drogas à cracolândia. A defesa afirma que vai provar sua inocência.

Pequenos grupos

Pequenos grupos ainda podem ser vistos nas imediações do Parque Dom Pedro II, da Praça Princesa Isabel e da rua Helvétia, antigos epicentros do “fluxo”, termo usado para se referir à concentração de usuários de drogas.

Nessas áreas, poucas duplas e trios circulam de forma constante, evitando formar novas concentrações.

O fluxo principal desapareceu entre os dias 10 e 13 de maio, quando os usuários deixaram a rua dos Protestantes, surpreendendo comerciantes e moradores.

Segundo relatos de moradores e comerciantes, houve deslocamento de dependentes para cidades vizinhas, como Guarulhos, mas essas informações não foram oficialmente comprovadas.

Com as operações e a retirada de famílias da região, o governo estadual pretende impedir a retomada do território pelo crime organizado.

*Texto contém informações do Estadão