Falta menos de um mês para o dia 25 de dezembro e, em vários países, as ruas já estão tomadas por luzes e enfeites natalinos.
Para muitos cristãos, essa é a data que marca o nascimento de Jesus.
Alguns historiadores, porém, acreditam que o 25 de dezembro pode ter sido escolhido para substituir antigas festividades pagãs romanas realizadas nesse mesmo dia.
Mas o que pouca gente sabe é que, em algumas nações, o Natal acontece só duas semanas depois da data mais difundida no Ocidente.
Calendário juliano X gregoriano
De acordo com o National Geographic, o debate sobre a data do nascimento de Jesus começou cedo.
Em 325 d.C., bispos cristãos se reuniram no Primeiro Concílio de Niceia para padronizar as datas religiosas.
Eles adotaram o calendário juliano, criado em 46 a.C., mas esse sistema tinha um erro de cálculo que, ao longo dos séculos, fez essas datas se afastarem do ano solar.
Em 1582, o Papa Gregório 13 corrigiu esses desvios ao criar o calendário gregoriano, que passou a ser usado pela maior parte do mundo cristão.
A Igreja Ortodoxa, porém, rejeitou essa mudança por diferenças teológicas e históricas. Por isso, continuou seguindo o calendário juliano, que já adiantava o Natal em muitos dias.
Conflitos se intensificaram
A diferença entre os calendários aumentou até atingir 13 dias em 1923, colocando o Natal ortodoxo duas semanas depois do 25 de dezembro.
Para tentar resolver essa discrepância, líderes ortodoxos se reuniram no Congresso Pan-Ortodoxo de Constantinopla.
O momento também tinha peso político, já que algumas igrejas sofriam pressão de regimes como o soviético, conforme explica o National Geographic.
Na reunião, o cientista sérvio Milutin Milanković apresentou um novo calendário juliano, parecido com o gregoriano.
Grécia, Chipre e Romênia adotaram a mudança e passaram a celebrar o Natal em 25 de dezembro.
Outros países, como Rússia e Egito, recusaram e mantiveram o Natal em 7 de janeiro, data que mudará para 8 de janeiro em 2100 devido ao avanço contínuo da defasagem.
Como é a celebração nesses países
Os cristãos ortodoxos seguem o chamado Jejum da Natividade, também conhecido como Jejum de 40 dias, que pode começar em 15 ou 28 de novembro, dependendo do tipo de calendário adotado pelo país.
Entre alguns cristãos do Egito, o fim do jejum chega com o fattah, feito com pão, arroz e carne.
Na Rússia, o prato central é o kutya, um mingau de trigo e arroz compartilhado para simbolizar união.
Já na Etiópia, o Natal é celebrado com o tradicional wat, um ensopado encorpado que costuma incluir frango dividido em 12 partes e acompanhado por 12 ovos, para representar a dúzia de apóstolos.
Nessa data, é comum ver procissões ao redor das igrejas etíopes, com fiéis cantando e orando em trajes brancos.


