Ford muda estratégia, investe bilhões e volta a crescer no mercado brasileiro

Até novembro, foram cerca de 49 mil veículos emplacados, avanço de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado

Em 2025, a Ford comemora mais um ano de crescimento expressivo no Brasil

Em 2025, a Ford comemora mais um ano de crescimento expressivo no Brasil | Divulgação

Quatro anos depois de encerrar a produção de veículos no Brasil e colocar um ponto final em mais de um século de operações industriais no país, a Ford volta a ganhar protagonismo no mercado automotivo nacional – agora, sob um novo modelo de negócios, focado em produtos de maior valor agregado, tecnologia e rentabilidade.

Em janeiro de 2021, a montadora norte-americana anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), decisão que marcou uma ruptura histórica na indústria brasileira. Aquele capítulo de retração, no entanto, deu lugar a uma estratégia que começa a apresentar resultados consistentes.

Em 2025, a Ford comemora mais um ano de crescimento expressivo no Brasil. Até novembro, foram cerca de 49 mil veículos emplacados, avanço de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado – desempenho quase dez vezes superior ao crescimento médio da indústria nacional, de 1,3%.

Na América do Sul, o cenário é ainda mais robusto: 123,7 mil unidades vendidas, alta de 21%, mais que o dobro do mercado regional.

“Pelo terceiro ano seguido, registramos crescimento de dois dígitos no Brasil e na América do Sul, impulsionados por lançamentos bem recebidos e investimentos estratégicos”, afirma Martín Galdeano, presidente da Ford América do Sul.

Segundo o executivo, a marca prepara 20 ações de produto nos próximos dois anos, com a missão de fortalecer sua presença nos segmentos em que já atua e avançar para novos espaços do mercado.

O pilar dessa retomada continua sendo o universo das picapes. A Ranger, que celebrou 30 anos no Brasil, manteve o posto de principal produto da marca, com mais de 30 mil unidades emplacadas de janeiro a novembro – crescimento de 9%, bem acima da média do segmento.

Na Argentina, a fábrica de Pacheco recebeu US$ 40 milhões (cerca de R$ 220 milhões) para ampliar a produção anual da Ranger para 80 mil unidades, novo recorde histórico. A ofensiva segue com um investimento adicional de US$ 170 milhões (quase R$ 1 bilhão) destinado à futura Ranger Híbrida Plug-in, prevista para 2027, equipada com um inédito motor flex desenvolvido pela engenharia brasileira da Ford. Com isso, o aporte total no programa da nova Ranger já chega a US$ 870 milhões (aproximadamente R$ 4,7 bilhões).

A picape grande F-150 – o veículo mais vendido nos Estados Unidos a quase meio século, ininterruptamente – foi o modelo da Ford que mais cresceu em vendas no Brasil neste ano, com alta de 140%, impulsionada pela chegada da versão Tremor.

Já a picape intermediária Maverick passou por renovação completa, incluindo opções híbrida e off-road, mantendo volumes consistentes de emplacamentos.

Entre os SUVs, o Territory consolidou-se como o segundo modelo mais vendido da marca no país, com crescimento de 55%. O Bronco Sport também avançou, enquanto o Mustang viveu um ano histórico, com três versões diferentes oferecidas simultaneamente – incluindo a Dark Horse, equipada com o V8 mais potente já oferecido oficialmente pela Ford no Brasil.

No segmento de veículos comerciais, a divisão Ford Pro registrou alta de 33% nas vendas, com destaque para a linha Transit, que completou 60 anos e recebeu atualizações importantes para a linha 2026.

A transformação da Ford não se limita ao portfólio. A marca lançou no Brasil a assinatura global Ready Set Ford, que simboliza uma comunicação mais conectada ao estilo de vida do consumidor. “É um convite à ação, para que as pessoas se sintam encorajadas a buscar o seu melhor”, resume Marcel Bueno, diretor de Marketing da Ford América do Sul.

Esse reposicionamento também passa pelas pistas. Após estruturar o maior programa de competições de sua história na região, a Ford renomeou sua divisão esportiva para “Ford Racing” e prepara seu retorno à Fórmula-1.

Principalmente nos anos 60 e 70, a marca norte-americana foi a maior vencedora na principal categoria do automobilismo com o lendário motor Ford Cosworth, que equipou equipes históricas como a Lotus, a McLaren e a Williams. Nas concessionárias, a modernização avança com o padrão global Signature 2.0, em uma rede que soma atualmente 140 lojas no Brasil.

Sem fábricas, mas com investimentos bilionários, produtos estratégicos e crescimento acima da média do mercado, a Ford mostra que sua nova fase está longe de ser discreta.

E reforça que, mesmo após uma saída industrial pra lá de polêmica, ainda tem fôlego para acelerar forte no país, apesar da atual modesta décima segunda posição no ranking da Fenabrave.