Vai faltar água no litoral? Veja como Sabesp se prepara para o verão

Companhia lançou campanha para tentar minimizar os impactos durante as altas temperaturas

Na Baixada Santista, as temperaturas ficam entre 19°C a 23°C no domingo.

Sabesp fala em investimentos para evitar que Santos e outros municípios do litoral paulista tenham problemas com o abastecimento | Divulgação/PMS

Não é nada incomum a falta de água durante o verão no litoral de São Paulo, por causa do calor e do alto número de turistas. As mudanças climáticas, porém, prometem aprofundar o problema. A recém-privatizada Sabesp lançou uma campanha recentemente para tentar minimizar os impactos durante as altas temperaturas.

Entre dezembro e fevereiro de 2026, as quatro prefeituras do litoral norte de São Paulo esperam receber 7,9 milhões de turistas ao total. Já a Baixada Santista aguarda pelo menos 6,4 milhões de pessoas somente na virada de ano.

A campanha lançada na última semana pede aos moradores “façam a sua parte” para minimizar a provável falta d’água no litoral paulista durante a alta temporada, enquanto exalta as próprias ações. Em nenhum momento a empresa garantiu que não haverá falta de água na costa paulista.

Uma semana sem água

Não à toa, já que os efeitos já começam a ser sentidos. “Estou há mais de uma semana sem abastecimento d’água”, lamentou a manicure Tais Vespa, moradora do bairro Areião, em Guarujá.

“Depois que a Sabesp começou a mexer na encanação, a gente fica sem água por um bom tempo. O que sobra é o que tem na caixa, mas acontece que também acaba na caixa. Aí só por Jesus”, contou Tais à Gazeta.

Ela disse que tem lavado roupa em uma loja especializada na região, e que aguarda a resolução do problema. 

Em nota, após questionamento da Gazeta, a Sabesp pede “sinceras desculpas” pelos transtornos causados aos moradores do Areião, mas disse que o problema é pontual e não ocorre há mais de uma semana.

“A Companhia esclarece que as oscilações no fornecimento registradas no bairro desde ontem, caracterizadas por baixa pressão na rede, estão relacionadas ao expressivo aumento do consumo de água em função das altas temperaturas, o que exige ajustes operacionais no sistema de distribuição”, disse a companhia. Leia a nota na íntegra ao fim deste texto.

Campanha da Sabesp

“Com mais de R$ 2 bilhões investidos em obras na região em 2025, a companhia busca engajar a população para que faça a sua parte junto com a Sabesp no uso consciente da água”, escreveu a companhia.

A Sabesp destacou entre as melhores estruturais recentes o aumento de tubulações para abastecimento de água e esgoto em 717 quilômetros, além da entrega de 7 novos reservatórios de água tratada, com capacidade total superior a 42 milhões de litros, distribuídos no horário de maior consumo.

Segundo a companhia, há também um investimento de mais de R$ 135 milhões na nova tubulação que conectará Santos a Guarujá, com capacidade para transportar 500 litros de água tratada por segundo.

Para os moradores e turistas do litoral, a companhia apelou por:

  • Banhos mais rápidos;
  • torneiras fechadas enquanto se ensaboa a louça e;
  • uso de vassouras em vez de torneiras para lavar os quintais.

Estado em crise

A onda de calor que assola o estado de São Paulo desde a última semana provocou um aumento de até 60% no consumo de água em algumas regiões, afetando diretamente o nível dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo.

Com isso, o Governo de São Paulo veio a público para alertar sobre a necessidade de economia de água.

“O crescimento do consumo ocorre em um momento em que o Estado registra um dos menores índices de chuvas dos últimos anos, causando uma estiagem prolongada e afetando a capacidade das represas que abastecem a Região Metropolitana”, informou a gestão Tarcísio de Freitas, em nota.

Para Antonio Giansanti, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), o drama aos moradores se acentua de ano a ano. A cada estiagem, que dura normalmente de abril a setembro, o nível de água está inferior ao do ano anterior.

“Nos últimos três anos vem decrescendo o volume mínimo do Sistema Cantareira, o principal manancial de São Paulo. Além do desafio usual para abastecer uma metrópole de 22 milhões de habitantes, soma-se o efeito das variações climáticas”, explicou o especialista em entrevista à Gazeta em novembro.

Ele lamentou que cerca de 30% de água potável é desperdiçada diariamente, e que é necessário agir cada vez mais para reduzir as perdas nos sistemas de distribuição.

Entre os exemplos de ações possíveis são o uso de aparelhos sanitários domiciliares mais eficientes. Ele defende um programa público de troca de vasos sanitários antigos, por exemplo.

O fundamental, contudo, é a proteção dos mananciais. As chuvas na região acontecem em maior volume, normalmente de outubro a março, e estiagem segue de abril a setembro. O que se reserva no período mais chuvoso deve, em tese, ser usado na época de maior seca.

“Ao chover, parte das vezes não conseguimos reter a água nos mananciais, por meio de infiltração. Simplesmente a água vai embora, por falta de vegetação e por áreas impermeáveis. Temos que atuar na proteção dos mananciais, ainda mais numa situação climática incerta”, explicou.

Ele ainda disse que a disponibilidade hídrica por habitante por ano em São Paulo é quase igual ou até inferior à de quem vive no deserto. “Por isso temos sistemas de abastecimento e represas para todos os lados da região metropolitana”.

Problema em Guarujá

Veja nota na íntegra da Sabesp em relação à falta de água no bairro Areião, em Guarujá:

“A Sabesp pede sinceras desculpas pelos transtornos causados aos moradores do Bairro Areião, em Guarujá.

A Companhia esclarece que as oscilações no fornecimento registradas no bairro desde ontem, caracterizadas por baixa pressão na rede, estão relacionadas ao expressivo aumento do consumo de água em função das altas temperaturas, o que exige ajustes operacionais no sistema de distribuição.

A Sabesp ressalta que não há registro de falta d’água há mais de uma semana nessa região. A situação atual é pontual e está sendo acompanhada de perto pelas equipes da Sabesp, que estão no bairro para monitorar o sistema e adotar as medidas necessárias para a regularização do abastecimento.

A Sabesp informa ainda que, recentemente, foram realizadas obras de universalização no Bairro Areião, com o objetivo de ampliar o acesso à água potável e à coleta de esgoto, garantindo atendimento a toda a população, conforme o Plano de Universalização da Companhia. Essas intervenções não estão relacionadas a oscilações no fornecimento de água no bairro, mas à melhoria estrutural do sistema local.

Como ação preventiva, a Companhia está reforçando o abastecimento na região e, se necessário, poderá contar com o apoio de caminhões-pipa para minimizar os impactos aos moradores.”

A Sabesp recomenda o uso consciente da água neste período e destaca que imóveis com reservação adequada tendem a sentir menos os efeitos das oscilações no abastecimento. A Companhia permanece à disposição por meio dos canais de atendimento: 0800 055 0195, WhatsApp (11) 3388-8000 e Agência Virtual em www.sabesp.com.br.