O ano de 2025 termina para o governo do presidente Lula (PT) com um pouco mais de estabilidade do que parecia ter em janeiro. Do outro lado do campo político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PT) começou a cumprir pena de mais de 27 anos de prisão por crimes contra a democracia.
Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, se livrou de sanção pesada do governo dos Estados Unidos.
Veja, abaixo, os momentos marcantes da política nacional do ano que está acabando.
Moraes na mira dos EUA
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, e a sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foram alvos da Lei Magnitsky em julho e em setembro, respectivamente. A regra do governo norte-americano impõe restrições pesadas contra estrangeiros que, em tese, reprimem denúncias de corrupção, cerceiam liberdades fundamentais ou atuam contra eleições democráticas.
A medida foi comemorada pelo núcleo duro bolsonarista, que atuou para convencer autoridades daquele país a mirar o Supremo brasileiro. Além disso, figuras como o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que depois viria a ter o cargo cassado na Câmara dos Deputados, também pressionou para que o presidente Donald Trump criasse taxas para os produtos brasileiros.
A ação bolsonarista de pressão pelas taxas foi vista por parte do eleitorado, inclusive de direita, como uma medida que prejudicaria o Brasil, o que ajudou a Lula a frear a queda na popularidade e até (pelo menos momentaneamente) crescer na aprovação.
Em dezembro, Trump retirou Moraes e Viviane da lista de sancionados da Lei Magnitsky, e ainda diminuiu as taxas a produtos brasileiros. As decisões se deram após um encontro amistoso entre Lula e Trump na Malásia, em outubro.
Para John Feeley, ex-embaixador dos Estados Unidos e um dos maiores especialistas em América Latina do Departamento de Estado norte-americano, o distanciamento de Trump a Bolsonaro se deu por uma razão direta.
“Assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”, disse, em entrevista à BBC Brasil.
Prisão de Bolsonaro
Em 11 de setembro, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por uma série de crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Ele foi preso de fato em 22 de novembro, por tentar romper a tornozeleira eletrônica.
Em 25 de novembro ele começou a cumprir a pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No dia de Natal (25/12), o ex-mandatário recebeu autorização para passar por uma cirurgia para tratar de uma hérnia.
Antes da cirurgia, ele escreveu uma carta em que ratificou o desejo de que o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja candidato a presidente em 2026.
“Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, para resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim”, escreveu Bolsonaro em carta lida pelo próprio Flávio.
Lula bem na economia, mas mal no Congresso
Lula termina o ano com índices melhores na economia e na política social. Houve queda nas taxas de desemprego, da fome e do índice de desigualdade social. A inflação também recuou.
O Produto Interno Bruto (PIB) deverá ser maior do que o esperado. O Banco Central aumentou de 2% para 2,3% a expectativa de crescimento para 2025.
No Congresso, porém, o governo federal tem se mostrado pouco habilidoso para evitar desgastes constantes na Câmara e no Senado. Lula dado sinais de aproximação com os presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado. Nada que evite que pautas-bombas contra o governo surjam, o que gera acusações de ambos os lados.
Para 2026, ano eleitoral, a tendência é a situação ficar ainda mais delicada.



