O erro comum que quase todo mundo comete ao guardar ovos na geladeira

Saiba como conservar ovos por mais tempo, por que a embalagem original deve ser descartada e como o teste da água ajuda a evitar desperdícios e riscos à saúde

Para conservar por mais tempo, a geladeira é uma aliada.

Para conservar por mais tempo, a geladeira é uma aliada. | Freepik

Presente no café da manhã, no almoço e até em sobremesas, o ovo virou um dos ingredientes mais usados na cozinha brasileira. 

Além de versátil, ele oferece proteínas de alta qualidade, gorduras boas e micronutrientes importantes. Ainda assim, muita gente erra justamente no básico: a forma de guardar.

Entre mitos e hábitos antigos, surgem dúvidas comuns: pode lavar antes de armazenar? A porta da geladeira é um bom lugar? Como perceber se o ovo já passou do ponto? A seguir, reunimos orientações práticas para conservar melhor e reduzir riscos no consumo.

Lavar o ovo antes de guardar é uma boa ideia?

Não. Segundo o Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), da USP, o ovo tem uma película natural chamada cutícula, que funciona como barreira contra micro-organismos. 

Ao lavar, você pode remover essa proteção e, pior, fazer a água “empurrar” bactérias da casca para o interior do alimento.

Se fizer questão de higienizar, a recomendação atribuída à pesquisadora Emília Maria Lima (doutora em Ciência dos Alimentos pela USP) é lavar apenas no momento do preparo, nunca antes de guardar. 

Quando o ovo vem com sujeira visível, o mais seguro é retirar somente o excesso com papel-toalha ou guardanapo, sem molhar.

Qual é o melhor lugar para armazenar ovos?

Para conservar por mais tempo, a geladeira é uma aliada. O ovo até pode ficar em temperatura ambiente, como acontece nos mercados, mas tende a perder qualidade mais rápido, especialmente em cidades quentes, onde a variação térmica acelera a deterioração.

Na prática, a dica é simples: mantenha os ovos refrigerados e evite mudanças bruscas de temperatura. Quanto mais estável o frio, melhor para preservar estrutura, sabor e segurança.

Devo guardar na caixinha de papelão?

A embalagem em que os ovos chegam parecer protegida, mas pode carregar sujeira e contaminações que acabam indo parar dentro da geladeira. 

Por isso, a orientação é retirar os ovos da caixinha e colocar em um recipiente limpo, como um pote plástico higienizado.

Também vale usar o suporte próprio da geladeira, desde que ele não fique na porta. O ponto central é reduzir o contato com superfícies potencialmente contaminadas e manter o alimento em um ambiente mais estável.

Por que não é recomendado guardar ovos na porta da geladeira?

A porta é prática, mas é a área que mais sofre variação de temperatura devido à abertura e do fechamento constantes. Essa oscilação pode acelerar a perda de qualidade e favorecer o crescimento de bactérias ao longo do tempo.

Além disso, o movimento da porta aumenta o risco de trincas e microfissuras na casca, às vezes imperceptíveis. Essas pequenas falhas facilitam a entrada de micro-organismos e elevam o risco de contaminação. Se der, prefira as prateleiras internas.

Se a sua geladeira só permite armazenar na porta, ainda assim é melhor manter refrigerado do que deixar fora. Mas, quando houver espaço, priorize o interior.

Como saber se o ovo está velho ou estragado?

O primeiro passo é observar a data de produção e validade na embalagem. Quando isso não está disponível, alguns testes caseiros ajudam a identificar sinais de envelhecimento, embora não substituam o cuidado com armazenamento e preparo.

Teste da água: o truque mais conhecido

Coloque o ovo em um copo com água. Se afundar, tende a estar mais fresco. Se ficar em pé, já está mais velho. Se boiar, é sinal de que está bem antigo e a recomendação é descartar.

A explicação é simples: com o tempo, a câmara de ar interna aumenta e o ovo perde umidade por evaporação. Quanto maior for a câmara, mais ele tende a flutuar.

Olhe a gema e a clara na hora de quebrar

Ao abrir o ovo, observe se a gema se mantém centralizada e firme, sem se espalhar rapidamente na clara. Em ovos mais frescos, a estrutura interna que sustenta a gema fica mais íntegra, o que ajuda a manter o formato.

Se a clara estiver muito líquida e a gema “escorrer” com facilidade, isso pode indicar um ovo mais antigo. Cheiro forte, aspecto estranho e qualquer sinal evidente de deterioração são motivos para descarte.

Quebre um por um para não perder a receita

Uma dica simples evita desperdício: quebre os ovos, um a um, em um recipiente separado antes de colocar na receita. Assim, se algum estiver ruim, você não estraga a massa, o bolo ou o molho inteiro.

Segurança no consumo: evite ovo cru ou malcozido

Mesmo com casca intacta, não é recomendado consumir ovo cru ou malcozido. O cozimento adequado ajuda a eliminar bactérias patogênicas que eventualmente tenham contaminado o produto, como a Salmonella.

Informações atribuídas à Embrapa indicam que, em condições saudáveis de postura, o conteúdo do ovo costuma ser isento de micro-organismos. 

Ainda assim, a casca e até o interior podem ser contaminados por Salmonella, inclusive antes da postura, quando há infecção nos órgãos reprodutores da ave.

A Salmonella pode causar sintomas como vômito, dores abdominais, febre e diarreia. A orientação geral é cozinhar bem, já que a bactéria não resiste a temperaturas a partir de 65°C.