O Ministério da Saúde deu o primeiro passo para a vacinação em larga escala contra a dengue no Brasil.
A campanha nacional com a vacina de dose única Butantan-DV começa em 18 de janeiro e terá início em três cidades escolhidas como projeto-piloto, onde a imunização será acelerada para avaliar o impacto direto no controle da doença. As cidades selecionadas são Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
A estratégia, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é alcançar rapidamente entre 40% e 50% da população local, patamar considerado decisivo para reduzir de forma significativa a circulação do vírus.
“Serão cidades de vacinação acelerada”, afirmou o ministro em entrevista à TV Globo.
Etapas da vacinação
Nesta primeira etapa, a vacinação será direcionada aos profissionais da atenção primária à saúde.
Em seguida, o público-alvo será ampliado de forma gradual, começando pelas pessoas de 59 anos e avançando progressivamente até alcançar jovens de 15 anos.
A expansão seguirá das faixas etárias mais altas para as mais baixas.
Escolha das cidades
A escolha das cidades não é aleatória. Botucatu, por exemplo, já participou de uma experiência semelhante durante a pandemia de Covid-19, em 2021, quando toda a população adulta foi vacinada em um estudo que avaliou a eficácia da vacina AstraZeneca produzida em parceria com a Fiocruz.
Agora, a cidade volta a ser laboratório para uma estratégia nacional de saúde pública.
De acordo com o Ministério da Saúde, os estudos indicam que atingir de 40% a 50% da população vacinada pode gerar um impacto expressivo na redução de casos e internações por dengue.
A ideia é monitorar o comportamento da doença nessas regiões antes de ampliar a estratégia para outras áreas do País.
Sobre as vacinas
Produzida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV é a primeira vacina do mundo contra a dengue aplicada em dose única.
A previsão é que 1,3 milhão de doses sejam entregues ao governo federal até o fim de janeiro. O contrato firmado prevê o fornecimento inicial de 3,9 milhões de doses, ao custo de R$ 368 milhões.
Além do imunizante nacional, o ministério também utilizará a QDenga, vacina japonesa aplicada em duas doses.
Foram encomendadas 9 milhões de doses para 2026, destinadas a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todo o País.
As duas vacinas, no entanto, não são indicadas para alguns grupos: gestantes, pessoas com imunossupressão e idosos a partir de 60 anos.
A Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos e apresentou eficácia de cerca de 75% contra casos gerais, mais de 91% contra formas graves e 100% de proteção contra hospitalizações.
O Instituto Butantan estuda ampliar a faixa etária, incluindo idosos e crianças de 2 a 11 anos.
