A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta quinta-feira (8/1) o inquérito que apurava o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, 19, no Pico Paraná, e defendeu o arquivamento do caso.
Segundo a investigação, não houve crime nem omissão de socorro durante o episódio que mobilizou bombeiros e voluntários por quase cinco dias.
Roberto desapareceu após se perder na trilha durante a descida da montanha, no dia 1º de janeiro, depois de subir o pico no réveillon ao lado de uma amiga, Thayane Smith Moraes, também de 19 anos.
Após dias na mata, o jovem conseguiu sair sozinho e pedir ajuda em uma fazenda em Antonina, no litoral do estado.
De acordo com o delegado Glaison Lima, da Delegacia de Campina Grande do Sul, a apuração incluiu diligências, análise de dados e informações extraídas de celulares da vítima e de pessoas envolvidas.
“A conclusão a que chegamos é que não houve crime nem qualquer infração penal”, afirmou.
Investigação descarta omissão de socorro
A polícia também afastou a hipótese de omissão de socorro, levantada após críticas nas redes sociais.
Segundo o delegado, Roberto passou mal durante a subida do pico, mas não apresentava sintomas na descida que indicassem necessidade de ajuda imediata.
“Na descida, ele estava bem. O que ocorreu foi que ficou para trás, seguiu uma trilha errada e acabou se perdendo”, explicou Lima. O inquérito aponta que a separação do grupo ocorreu sem sinais de emergência.
Amiga admite erro e diz estar arrependida
Alvo de ataques virtuais, Thayane afirmou que se arrepende de ter seguido adiante sem o amigo, descumprindo a regra informal entre trilheiros de “ir junto e voltar junto”.
“Se eu não tivesse deixado ele, isso não teria acontecido. Fui irresponsável”, disse à imprensa.
Roberto, por sua vez, afirmou em entrevista à Folha que não guarda ressentimentos, mas reconheceu que a situação poderia ter sido evitada. “É algo que realmente não deveria ser feito”, declarou.
Jovem relata mal-estar e erro no caminho
Segundo o relato de Roberto, ele passou mal após consumir iogurte antes da subida, o que o deixou mais lento durante o trajeto. Na descida, um grupo de trilheiros ultrapassou a dupla, e Thayane seguiu com eles.
“Eu fui ficando para trás, no meu tempo, para não me esforçar muito. Acabei pegando outro caminho”, contou.
O celular do jovem havia sido deixado em um dos acampamentos-base da montanha, pois não estava funcionando.
Buscas mobilizaram bombeiros e voluntários
O desaparecimento foi registrado pela família assim que as buscas tiveram início.
A operação mobilizou mais de 100 bombeiros militares e cerca de 300 voluntários, mas Roberto conseguiu sair da mata por conta própria, orientando-se pelo curso de um rio até chegar à fazenda onde pediu ajuda.
Ele foi encaminhado a um hospital em Antonina, onde exames indicaram desidratação leve, além de hematomas e assaduras. O jovem recebeu alta na noite de terça-feira (6/1).
Ao retornar para casa, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, Roberto foi recebido com festa por familiares e amigos.
O relatório final da investigação será agora encaminhado ao Judiciário, com recomendação formal de arquivamento do caso.
