Em um ano atravessado por alagamentos recorrentes durante o período de chuvas, a Prefeitura de São Paulo deixou de aplicar quase R$ 320 milhões destinados à manutenção do sistema de drenagem da cidade.
O montante corresponde a cerca de 40% do orçamento aprovado para 2025, segundo dados oficiais da execução orçamentária.
Dos R$ 822 milhões autorizados para ações como limpeza de bocas de lobo, galerias e valetas, foram efetivamente pagos R$ 504 milhões, o equivalente a 61% do total previsto.
A execução ficou abaixo do padrão observado em exercícios anteriores, quando os valores liquidados costumavam superar a dotação inicial.
Novas enchentes
O dado vem à tona enquanto a Capital enfrenta novos episódios de alagamentos causados por chuvas intensas típicas do verão.
Nesta semana, a cidade registrou dois dias seguidos de transtornos, com vias bloqueadas, rios transbordando e resgates emergenciais em diferentes regiões.
Na quarta-feira (7/1), o rio Aricanduva, na zona leste, saiu do leito após forte precipitação concentrada.
No Brás, ruas ficaram intransitáveis, e no Canindé, na zona norte, motoristas precisaram ser retirados de carros submersos pelo Corpo de Bombeiros.
Já na quinta-feira (8/1), novos temporais voltaram a causar alagamentos e inundações, com registro de carros ilhados e resgates feitos pelo Corpo de Bombeiros, especialmente no Canindé, na zona norte.
Em algumas regiões, moradores enfrentaram novamente dificuldades para circular poucas horas após o escoamento das águas do dia anterior.
Planejamento prevê menos recursos em 2026
Além da execução parcial em 2025, o orçamento municipal prevê uma redução de 20% nos recursos destinados à drenagem em 2026, o que levanta questionamentos sobre a capacidade da cidade de responder a eventos climáticos cada vez mais frequentes.
A retração contrasta com anos anteriores da atual gestão, quando despesas com manutenção do sistema de drenagem frequentemente ultrapassaram o valor inicialmente autorizado, sobretudo em contratos de limpeza preventiva.
Demanda por limpeza cresce
Mesmo com a redução nos gastos, a procura por serviços básicos aumentou. Em 2025, moradores registraram 26.076 pedidos de limpeza de bueiros, bocas de lobo e poços de visita no Portal 156, crescimento de 5,37% em relação a 2024.
Na média, foram 71 solicitações por dia, ou cerca de três por hora, número que especialistas associam à falta de manutenção contínua em áreas mais vulneráveis a alagamentos.
Prefeitura atribui corte a ações anteriores
Em nota ao portal G1, a Prefeitura de São Paulo afirmou que ainda há despesas referentes a dezembro que não foram liquidadas e não informou se o total gasto se aproximará do valor autorizado para o ano.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sustenta que investimentos realizados desde 2021 permitiram reduzir a previsão orçamentária sem comprometer o serviço.
Segundo a administração, foram aplicados R$ 9,3 bilhões em obras, serviços e manutenções no sistema de drenagem desde então, mais que o dobro do registrado entre 2013 e 2020.
A ampliação da varrição e a limpeza prévia de reservatórios, afirma a prefeitura, explicariam a diminuição dos recursos.
