Corpo encontrado na Grande SP é de PM desaparecido, confirma IML

Fabrício foi morto por determinação do crime organizado após um desentendimento com um traficante

Corpo foi localizado em uma área de mata em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, na manhã de domingo (11/1)

Corpo foi localizado em uma área de mata em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, na manhã de domingo (11/1) | Reprodução/PMESP

O Instituto Médico Legal confirmou que o corpo localizado em uma área de mata em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, na manhã de domingo (11/1), é do policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos.

O PM estava desaparecido desde quarta-feira (7/1). A identificação foi feita por meio de impressões digitais.

De acordo com a investigação, Fabrício foi morto por determinação do crime organizado após um desentendimento com um traficante em uma comunidade da Zona Sul de São Paulo.

Três pessoas suspeitas de envolvimento no crime tiveram a prisão temporária decretada.

O caseiro do sítio onde o corpo foi encontrado também foi preso temporariamente, segundo informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

O corpo foi liberado pelo IML de Taboão da Serra e seria retirado pela funerária às 8h30. O sepultamento está previsto para ocorrer no Cemitério Cerejeiras, no Jardim Ângela.

Corpo encontrado

Os policiais chegaram ao local onde o corpo foi encontrado após uma denúncia anônima. As buscas mobilizaram mais de 80 agentes e cães farejadores.

Inicialmente, as equipes concentraram os trabalhos em áreas de mata próximas à Represa de Guarapiranga, na Zona Sul, mas a operação foi ampliada e passou a incluir buscas dentro da água.

Fabrício foi visto pela última vez nas proximidades da favela Horizonte Azul. Testemunhas relataram que ele passou a madrugada em um bar dentro da comunidade, onde teria ocorrido um desentendimento com um traficante.

Durante a discussão, o policial teria dito que era PM. Segundo a polícia, o homem deixou o local e avisou integrantes do tráfico de drogas sobre a presença de um policial na região.

Após sair do bar, Fabrício teria sido interceptado por criminosos, que abordaram um homem que estava com ele no estabelecimento e ordenaram que levasse o cabo de volta à comunidade. Em depoimento, esse homem afirmou que cumpriu a ordem imposta pelo grupo criminoso.

Ainda conforme os relatos colhidos pela investigação, o policial foi informado de que seria morto por ser policial e por estar em uma área controlada pelo tráfico de drogas.

Imagens mostram o carro de Fabrício circulando pela região da comunidade na tarde do dia seguinte ao desaparecimento. O veículo aparece sendo seguido por um carro preto.

Após a identificação do proprietário do automóvel, os policiais foram até a residência dele e encontraram galões com cheiro de gasolina no porta-malas.

Em depoimento, o suspeito admitiu que acompanhou outro homem, que dirigia o carro do policial, até uma área de mata, com a finalidade de incendiar o veículo.

O automóvel de Fabrício foi localizado totalmente queimado na quinta-feira (8/1), em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo.

Discussão

Um dos suspeitos presos afirmou à polícia que o desaparecimento ocorreu após uma discussão envolvendo Fabrício e um morador da Vila do Sol, motivada por uma aposta de queda de braço.

O policial estava de férias e havia ido visitar o pai e o filho, que moram na região da Avenida dos Funcionários Públicos, próxima à Estrada do M’Boi Mirim.

Segundo o relato, a discussão teria ocorrido enquanto consumiam bebidas alcoólicas na garagem da casa do sogro do PM.

Ainda segundo a investigação, pouco antes de desaparecer, Fabrício telefonou para o irmão e relatou que havia se desentendido com um traficante da comunidade.

O suspeito teria ameaçado revelar aos moradores que ele era policial, o que, segundo Fabrício, colocaria sua família em risco.

Diante da situação, o PM teria informado que iria até uma adega do bairro para tentar resolver o conflito. Depois disso, ele não voltou a ser visto.

Entre os três suspeitos presos pelo envolvimento no desaparecimento e na morte do policial, um é o homem que discutiu com Fabrício na adega, outro aparece em imagens de câmeras de monitoramento seguindo o carro do PM, e o terceiro é um conhecido do policial.