Os incêndios florestais que avançam sem controle no sul do Chile já deixaram ao menos 16 mortos e provocaram a retirada de cerca de 50 mil pessoas de suas casas neste domingo (18/1), segundo autoridades chilenas.
As chamas atingem principalmente as regiões de Ñuble e Biobío, a cerca de 500 quilômetros ao sul de Santiago, em meio a altas temperaturas e ventos intensos. Veja vídeos:
No total, 14 focos de incêndio estão sendo combatidos por equipes de emergência. “Estamos enfrentando um quadro complexo”, afirmou o ministro do Interior, Álvaro Elizalde, ao comentar a rápida propagação do fogo durante a madrugada.
Tragédia em áreas urbanas e evacuação em massa
A maioria das mortes foi registrada na região do Biobío, especialmente nas cidades de Penco e Lirquén, na área metropolitana de Concepción. Segundo o ministro da Segurança, Luis Cordero, o número de fatalidades chega a 16, enquanto as evacuações já alcançam aproximadamente 50 mil pessoas.
Moradores relataram momentos de pânico. Em Penco, casas inteiras foram destruídas em poucos minutos. “O fogo estava descontrolado, com um redemoinho que engolia as casas”, contou o estudante Matías Cid, de 25 anos. O prefeito da cidade, Rodrigo Vera, confirmou que 14 pessoas morreram carbonizadas apenas no município.
Em Lirquén, vila portuária com cerca de 20 mil habitantes, o cenário também é de devastação. “Não sobrou nada de pé”, disse o morador Alejandro Arredondo, relatando que muitos conseguiram escapar correndo em direção à praia.
Incêndios fora de controle e estado de catástrofe
As condições climáticas seguem desfavoráveis. Segundo a Corporação Nacional Florestal (Conaf), as temperaturas devem ultrapassar os 30 °C, com ventos fortes, o que dificulta o trabalho das equipes. “O incêndio está absolutamente fora de controle”, alertou Esteban Krause, diretor regional da Conaf em Biobío. Cerca de 3.700 bombeiros atuam no combate às chamas.
Diante da gravidade da situação, o presidente Gabriel Boric decretou estado de catástrofe nas regiões de Ñuble e Biobío, autorizando o uso das Forças Armadas para apoio às operações. “Todos os recursos estão disponíveis”, afirmou o presidente, que deve visitar a área afetada ainda neste domingo.
Nos últimos anos, o Chile tem enfrentado incêndios cada vez mais severos, especialmente na região centro-sul. Em fevereiro de 2024, uma onda de incêndios em Viña del Mar deixou 138 mortos e cerca de 16 mil pessoas afetadas, em um dos episódios mais graves já registrados no país.
